quinta-feira, 27 de junho de 2013

Tipos de parto


   Parto. Está aí uma coisa que tinha muito medo quando estava grávida. Fiquei imensamente feliz em saber que estava grávida, mas quando pensava que o bebê teria que sair (e sairia depois de grande!) me dava um medinho (inho não, ÃO, com letras garrafais). Honestamente, sempre que alguém começava a me questionar muito sobre o assunto ou me contar alguma história de parto normal (claro, sempre tragédia, porque as pessoas adoram contar um bom drama para uma mulher grávida), eu mudava de assunto. Fugia bonito. Tem coisas que é melhor evitar, principalmente histórias tristes. Mas aprendi na faculdade que quando não se sabe muito bem sobre alguma coisa, há um grande espaço para fantasia, então se quiser lidar com algo é melhor saber ao certo do que se trata e como funciona, para não ter surpresas indesejáveis.
   Existem muitos tipos de parto, mas quero colocar agora os mais usados hoje em dia. A ordem que escolhi é de acordo com a quantidade de intervenção que é feita.

              Parto natural – A principal característica do parto natural é a falta de intervenções e lacerações. O parto é feito exatamente como foi concebido para ser, ou seja, no tempo que o bebê quiser nascer e sem uso de nenhum tipo de anestésico ou medicamento que acelere o processo. Pode ser realizado por médico, em ambiente hospitalar, por enfermeiras em casas de parto ou por parteiras na casa da futura mamãe. Em alguns casos só cortam o cordão umbilical depois que o bebê fica um tempo no colo da mãe, e com isso o bebê continua recebendo sangue e oxigênio por ele até que o cordão pare de pulsar e o bebê faça a transição para respirar sozinho pelos seus pulmões com mais tranquilidade, e sem necessidade do choro característico dos outros tipos de parto. Esse tipo de parto só é indicado para casos de baixo risco. Dentro do parto natural existem outras modalidades:
a.       Parto em casa – Algumas mulheres não se sentem confortáveis com o ambiente hospitalar e preferem que o parto ocorra longe das mesas de cirurgia e em sua própria casa, num ambiente familiar. Recentemente as enfermeiras foram impedidas de realizar parto dessa maneira, nesse caso somente parteiras podem fazê-lo. Segundo alguns médicos esse tipo de parto pode ser arriscado pois nem sempre durante o pré-natal é possível identificar se o trabalho de parto ocorrerá de forma tranquila e se haverá alguma situação grave no ato do nascimento. Embora as complicações ocorram apenas nas minorias, se acontecer talvez não haja tempo hábil para a busca de uma assistência médica especializada.
b.      Parto na água ou na banheira – Utiliza-se uma banheira com água morna (temperatura corporal – 37º C) para amenizar a dor das contrações por aumentar a irrigação sanguínea, relaxar o colo facilitando a passagem do bebê e tornar a saída menos traumática para ele, já que a temperatura é a mesma de dentro do útero. Não é recomendado em trabalho de parto prematuro, presença de mecônio, sofrimento fetal, mulheres com sangramento excessivo, diabetes, HIV positivo, Hepatite-B, Herpes Genital ativo, bebês com mais de 4 Kg ou que precisem de monitoramento contínuo. Alguns hospitais possuem salas de parto humanizado que tem a banheira para esse tipo de parto.
c.       Parto de cócoras – A diferença está na posição que a mãe terá o bebê. Ela se coloca de cócoras, o que faz com que o parto seja muito mais rápido já que a gravidade contribui para a saída do bebê. Além disso, para o bebê pode ser mais saudável já que não há mais a compressão de importantes vasos sanguíneos que acontece com a mulher deitada de costas. Só pode ser realizado em mães com gestação saudável, sem problemas de pressão sanguínea e se o bebê estiver encaixadinho para nascer (com a cabeça para baixo), e as principais vantagens são a participação do companheiro, a liberdade de movimentos dada à mulher no momento do nascimento da criança e a recuperação imediata.

      Parto Humanizado – Muitas pessoas chamam o parto natural de parto humanizado, mas não se trata da mesma coisa. A principal característica do parto humanizado é o incentivo a via vaginal (parto normal) da melhor forma que ele pode ocorrer, de acordo com a necessidade, ou seja, contará com tudo que a medicina e a tecnologia podem providenciar, tal como inibição de dor por anestesia, administração de substâncias que aumentam a contração uterina e infraestrutura completa de enfermagem, se for necessário. Nos hospitais, o parto humanizado pode contar com uma sala especial que estimula um nascimento mais tranquilo (é fato que sala de cirurgia assusta qualquer um!), com luz baixa, sofá, banheira, sem tubulações e aparelhos à vista, tudo fica guardado justamente para que possa ser utilizado num momento certo sem que dê a sensação de estar passando por uma cirurgia do coração por exemplo. A localização dessas salas normalmente é ao lado da sala cirúrgica do hospital caso seja necessário optar pela cesariana.   

      Parto Normal – É o parto vaginal que ocorre com auxílio da medicina. Realizado na maternidade, pode contar com o uso de medicamentos para acelerar o trabalho de parto, tal como a Ocitocina que acelera as contrações, pode haver episiotomia (corte entre a vagina e o ânus para aumentar a passagem evitando que aconteça um rasgamento irregular – ui!) ou analgesia. O parto dura entre 10 e 12 horas, e a anestesia (peridural, normalmente) só pode ser dada quando há dilatação superior á 4 dedos e contrações mais fortes, já que ela pode inibir as contrações e desacelerar o parto se for dada antes da hora. Quando o colo do útero estiver dilatado por completo e as contrações tornarem-se muito fortes, as paredes do útero farão pressão sobre o bebê e, em conjunto com o esforço da mãe, impulsionarão a criança para fora. Depois o útero contrai novamente para expulsar a placenta. A diferença para o natural é que ocorrem intervenções.

     Parto Cesário – Nele, o parto pode ser agendado com antecedência e dura entre uma e uma hora e meia. Com a anestesia peridural ou raquidiana (em alguns casos, a geral é necessária), a mamãe não sentirá nenhuma dor ao mesmo tempo que ficará acordada no parto todo. É colocada uma tela na região do seu tórax para melhor assepsia e a mamãe não acompanha o parto, mas o companheiro poderá acompanhar todo o procedimento. O médico corta sete camadas até chegar ao útero por uma incisão de 10 centímetros feita acima dos pêlos púbicos. Ao alcançar o bebê, o médico irá tirá-lo suavemente. A equipe removerá a placenta e a examinará e o corte será fechado com pontos. Hoje em dia usam pontos de plástica para que a cicatriz fique mais imperceptível. Demora cerca de 20 dias para recuperação, mas em 3 poderá voltar para casa.

         Parto Fórceps – No parto vaginal, em casos de emergência ou sofrimento do bebê, o médico pode utilizar o fórceps, um instrumento cirúrgico parecido com uma colher que é colocado no canal genital da mulher, ajustando-se nos lados da cabeça do bebê para ajudar o obstetra a puxá-lo para fora. Só é utilizado quando o parto já está no final poupando desgastes da mãe e do bebê.

   Tem um outro tipo de profissional que tem se tornado mais frequente na hora do parto. São as chamadas Doulas. Elas são acompanhantes de parto que tem a função de oferecer suporte afetivo, físico, emocional e de conhecimento para as mamães. Elas são uma espécie de intermediárias entre a equipe técnica e os pais da criança, facilitando a linguagem entre eles – ela traduz aqueles termos técnicos que não fazemos ideia do que querem dizer – massageiam a mãe, ajudam nas posições e técnicas de respiração, além de formas de amenizar dores – banhos, massagens e relaxamento. Esse profissional precisa ser contratado, e pode ajudar inclusive na gestação com ajuda especificas como a escolha do parto, o local e técnicas que podem contribuir na hora H.
   Alguns dados que acho importante saber antes de decidir – o parto vaginal (normal e natural) possui muitos benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê –
·         A passagem pelo canal vaginal fortalece o sistema imunológico do bebê;
·         A pressão no bebê ajuda a eliminar o excesso de líquido no pulmão;
·         Acelera a descida do leite – o organismo da mulher libera os hormônios ocitocina e prolactina durante o trabalho de parto, responsáveis pela produção de leite – na Cesária pode demorar um pouco mais.
·         Rápida recuperação da mamãe – em cerca de 48 horas depois do parto já pode ir para casa. Se houver corte, em uma semana estará recuperada. Na cesária, demora-se um pouco mais.

   Por outro lado, a cesárea não é nenhum bicho de 7 cabeças. Quando estava grávida, decidi que seria parto normal, e esperei até o final da gestação, mas meu filho era grande demais e não encaixou, e acabei tendo que fazer uma cesariana. Fiquei um pouco tensa, mas depois do parto, honestamente, não sofri nenhum dos males tão falados contra ela. O meu leite desceu logo depois do parto, e jorrou, sem problema algum. Me recuperei muito bem – no dia seguinte já tomei banho sozinha! – não tive nenhuma intercorrência, meu filho é perfeitamente saudável, nunca ficou doente (só um resfriadinho uma única vez), não sinto nenhuma dor na região, não tive dores para ter relações sexuais e minha cicatriz ficou até bonitinho (na medida que dá para ser bonitinha). Enfim, eu não tenho o que falar mal sobre cesária. De fato entrar em uma sala cirúrgica foi um pouco assustador, mas confiei completamente na minha GO e na sua equipe, o que me tranquilizou e me ajudou a viver o momento com a intensidade que tinha que ser vivido.  Da minha parte, entendo que o que é preciso levar em consideração na hora de escolher é o que é melhor para a mamãe e o bebê. É sabido que no Brasil a maior parte dos partos cesáreos poderiam ser evitados, e podem colocar em risco a vida do bebê e da mãe por se tratarem de uma cirurgia como qualquer outra. Por outro lado, não se deve correr riscos desnecessários, então uma vez que há qualquer tipo de problema de saúde (para a mãe ou bebê) não é prudente escolher partos que não contem com toda assistência especializada. Outro fator que temos que levar em consideração é o sonho da mãe. Existem mães que sonham com um parto mais natural possível. De uma forma ou de outra, esse é um momento único, e deve ser tratado com todo cuidado para que a forma não faça com que a mágica do momento seja estragada. Fique atenta!



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