Parto. Está aí uma coisa que tinha muito medo quando estava grávida.
Fiquei imensamente feliz em saber que estava grávida, mas quando pensava que o
bebê teria que sair (e sairia depois de grande!) me dava um medinho (inho não,
ÃO, com letras garrafais). Honestamente, sempre que alguém começava a me
questionar muito sobre o assunto ou me contar alguma história de parto normal
(claro, sempre tragédia, porque as pessoas adoram contar um bom drama para uma
mulher grávida), eu mudava de assunto. Fugia bonito. Tem coisas que é melhor
evitar, principalmente histórias tristes. Mas aprendi na faculdade que quando
não se sabe muito bem sobre alguma coisa, há um grande espaço para fantasia,
então se quiser lidar com algo é melhor saber ao certo do que se trata e como
funciona, para não ter surpresas indesejáveis.
Existem muitos tipos de parto, mas quero colocar agora os mais usados
hoje em dia. A ordem que escolhi é de acordo com a quantidade de intervenção
que é feita.
Parto
natural – A principal característica do parto natural é a falta de intervenções
e lacerações. O parto é feito exatamente como foi concebido para ser, ou seja,
no tempo que o bebê quiser nascer e sem uso de nenhum tipo de anestésico ou
medicamento que acelere o processo. Pode ser realizado por médico, em ambiente
hospitalar, por enfermeiras em casas de parto ou por parteiras na casa da
futura mamãe. Em alguns casos só cortam o cordão umbilical depois que o bebê
fica um tempo no colo da mãe, e com isso o bebê continua recebendo sangue e
oxigênio por ele até que o cordão pare de pulsar e o bebê faça a transição para
respirar sozinho pelos seus pulmões com mais tranquilidade, e sem necessidade
do choro característico dos outros tipos de parto. Esse tipo de parto só é
indicado para casos de baixo risco. Dentro do parto natural existem outras
modalidades:
a.
Parto em casa – Algumas mulheres não se sentem
confortáveis com o ambiente hospitalar e preferem que o parto ocorra longe das
mesas de cirurgia e em sua própria casa, num ambiente familiar. Recentemente as
enfermeiras foram impedidas de realizar parto dessa maneira, nesse caso somente
parteiras podem fazê-lo. Segundo alguns médicos esse tipo de parto pode ser
arriscado pois nem sempre durante o pré-natal é possível identificar se o
trabalho de parto ocorrerá de forma tranquila e se haverá alguma situação grave
no ato do nascimento. Embora as complicações ocorram apenas nas minorias, se
acontecer talvez não haja tempo hábil para a busca de uma assistência médica
especializada.
b.
Parto na água ou na banheira – Utiliza-se uma
banheira com água morna (temperatura corporal – 37º C) para amenizar a dor das
contrações por aumentar a irrigação sanguínea, relaxar o colo facilitando a
passagem do bebê e tornar a saída menos traumática para ele, já que a
temperatura é a mesma de dentro do útero. Não é recomendado em trabalho de parto
prematuro, presença de mecônio, sofrimento fetal, mulheres com sangramento
excessivo, diabetes, HIV positivo, Hepatite-B, Herpes Genital ativo, bebês com
mais de 4 Kg ou que precisem de monitoramento contínuo. Alguns hospitais
possuem salas de parto humanizado que tem a banheira para esse tipo de parto.
c.
Parto de cócoras – A diferença está na posição
que a mãe terá o bebê. Ela se coloca de cócoras, o que faz com que o parto seja
muito mais rápido já que a gravidade contribui para a saída do bebê. Além
disso, para o bebê pode ser mais saudável já que não há mais a compressão de
importantes vasos sanguíneos que acontece com a mulher deitada de costas. Só
pode ser realizado em mães com gestação saudável, sem problemas de pressão
sanguínea e se o bebê estiver encaixadinho para nascer (com a cabeça para
baixo), e as principais vantagens são a participação do companheiro, a
liberdade de movimentos dada à mulher no momento do nascimento da criança e a
recuperação imediata.
Parto
Humanizado – Muitas pessoas chamam o parto natural de parto humanizado, mas não
se trata da mesma coisa. A principal característica do parto humanizado é o
incentivo a via vaginal (parto normal) da melhor forma que ele pode ocorrer, de
acordo com a necessidade, ou seja, contará com tudo que a medicina e a
tecnologia podem providenciar, tal como inibição de dor por anestesia, administração
de substâncias que aumentam a contração uterina e infraestrutura completa de
enfermagem, se for necessário. Nos hospitais, o parto humanizado pode contar
com uma sala especial que estimula um nascimento mais tranquilo (é fato que
sala de cirurgia assusta qualquer um!), com luz baixa, sofá, banheira, sem
tubulações e aparelhos à vista, tudo fica guardado justamente para que possa
ser utilizado num momento certo sem que dê a sensação de estar passando por uma
cirurgia do coração por exemplo. A localização dessas salas normalmente é ao
lado da sala cirúrgica do hospital caso seja necessário optar pela
cesariana.
Parto
Normal – É o parto vaginal que ocorre com auxílio da medicina. Realizado na
maternidade, pode contar com o uso de medicamentos para acelerar o trabalho de
parto, tal como a Ocitocina que acelera as contrações, pode haver episiotomia
(corte entre a vagina e o ânus para aumentar a passagem evitando que aconteça
um rasgamento irregular – ui!) ou analgesia. O parto dura entre 10 e 12 horas,
e a anestesia (peridural, normalmente) só pode ser dada quando há dilatação
superior á 4 dedos e contrações mais fortes, já que ela pode inibir as
contrações e desacelerar o parto se for dada antes da hora. Quando o colo do
útero estiver dilatado por completo e as contrações tornarem-se muito fortes,
as paredes do útero farão pressão sobre o bebê e, em conjunto com o esforço da
mãe, impulsionarão a criança para fora. Depois o útero contrai novamente para
expulsar a placenta. A diferença para o natural é que ocorrem intervenções.
Parto
Cesário – Nele, o parto pode ser agendado com antecedência e dura entre uma e
uma hora e meia. Com a anestesia peridural ou raquidiana (em alguns casos, a
geral é necessária), a mamãe não sentirá nenhuma dor ao mesmo tempo que ficará
acordada no parto todo. É colocada uma tela na região do seu tórax para melhor
assepsia e a mamãe não acompanha o parto, mas o companheiro poderá acompanhar
todo o procedimento. O médico corta sete camadas até chegar ao útero por uma
incisão de 10 centímetros feita acima dos pêlos púbicos. Ao alcançar o bebê, o
médico irá tirá-lo suavemente. A equipe removerá a placenta e a examinará e o
corte será fechado com pontos. Hoje em dia usam pontos de plástica para que a
cicatriz fique mais imperceptível. Demora cerca de 20 dias para recuperação,
mas em 3 poderá voltar para casa.
Parto
Fórceps – No parto vaginal, em casos de emergência ou sofrimento do bebê, o
médico pode utilizar o fórceps, um instrumento cirúrgico parecido com uma
colher que é colocado no canal genital da mulher, ajustando-se nos lados da
cabeça do bebê para ajudar o obstetra a puxá-lo para fora. Só é utilizado
quando o parto já está no final poupando desgastes da mãe e do bebê.
Tem um outro tipo de profissional que tem se tornado mais frequente na
hora do parto. São as chamadas Doulas. Elas são acompanhantes de parto que tem
a função de oferecer suporte afetivo, físico, emocional e de conhecimento para
as mamães. Elas são uma espécie de intermediárias entre a equipe técnica e os
pais da criança, facilitando a linguagem entre eles – ela traduz aqueles termos
técnicos que não fazemos ideia do que querem dizer – massageiam a mãe, ajudam
nas posições e técnicas de respiração, além de formas de amenizar dores –
banhos, massagens e relaxamento. Esse profissional precisa ser contratado, e
pode ajudar inclusive na gestação com ajuda especificas como a escolha do
parto, o local e técnicas que podem contribuir na hora H.
Alguns dados que acho importante saber antes de decidir – o parto
vaginal (normal e natural) possui muitos benefícios tanto para a mãe quanto
para o bebê –
·
A passagem pelo canal vaginal fortalece o
sistema imunológico do bebê;
·
A pressão no bebê ajuda a eliminar o excesso de
líquido no pulmão;
·
Acelera a descida do leite – o organismo da
mulher libera os hormônios ocitocina e prolactina durante o trabalho de parto,
responsáveis pela produção de leite – na Cesária pode demorar um pouco mais.
·
Rápida recuperação da mamãe – em cerca de 48
horas depois do parto já pode ir para casa. Se houver corte, em uma semana
estará recuperada. Na cesária, demora-se um pouco mais.
Por outro lado, a cesárea não é nenhum bicho de 7 cabeças. Quando estava
grávida, decidi que seria parto normal, e esperei até o final da gestação, mas
meu filho era grande demais e não encaixou, e acabei tendo que fazer uma
cesariana. Fiquei um pouco tensa, mas depois do parto, honestamente, não sofri nenhum
dos males tão falados contra ela. O meu leite desceu logo depois do parto, e
jorrou, sem problema algum. Me recuperei muito bem – no dia seguinte já tomei
banho sozinha! – não tive nenhuma intercorrência, meu filho é perfeitamente
saudável, nunca ficou doente (só um resfriadinho uma única vez), não sinto
nenhuma dor na região, não tive dores para ter relações sexuais e minha
cicatriz ficou até bonitinho (na medida que dá para ser bonitinha). Enfim, eu
não tenho o que falar mal sobre cesária. De fato entrar em uma sala cirúrgica foi
um pouco assustador, mas confiei completamente na minha GO e na sua equipe, o
que me tranquilizou e me ajudou a viver o momento com a intensidade que tinha
que ser vivido. Da minha parte, entendo
que o que é preciso levar em consideração na hora de escolher é o que é melhor
para a mamãe e o bebê. É sabido que no Brasil a maior parte dos partos cesáreos
poderiam ser evitados, e podem colocar em risco a vida do bebê e da mãe por se
tratarem de uma cirurgia como qualquer outra. Por outro lado, não se deve
correr riscos desnecessários, então uma vez que há qualquer tipo de problema de
saúde (para a mãe ou bebê) não é prudente escolher partos que não contem com
toda assistência especializada. Outro fator que temos que levar em consideração
é o sonho da mãe. Existem mães que sonham com um parto mais natural possível. De
uma forma ou de outra, esse é um momento único, e deve ser tratado com todo
cuidado para que a forma não faça com que a mágica do momento seja estragada. Fique
atenta!




















