sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

2016 - um balanço

    Fazem mais de 2 anos que não escrevo aqui.  Me pareceram 4.
    Durante esse tempo houveram muitos momentos que quis escrever,  que tinha inspirações,  mas por  circunstâncias da vida, não fiz.  Mas hoje quis de novo,  e mais do que isso,  preciso.  Como já escrevi antes, escrever me ajuda a me organizar internamente. Me ajuda a colocar as coisas nos seus devidos lugares, e  providenciar espaço para o novo.  
    2016 foi um ano intenso.  Veio na rebarba de 2015, outro ano intenso. Precisava fazer esse balanço para me reencontrar. Para fazer um balanço dos ganhos e das perdas,  para ver que as aparentes perdas na verdade tornam-se ganhos,  por causa do aprendizado que elas trazem.  
    2016 - mãe de dois!  Dois filhos incríveis que Deus me deu. Que presente, que privilégio,  que alegria me trazem!  Como me sinto cheia com eles! Me sinto cercada de amor, amor de Deus,  de uma forma tão profunda que nem tenho muitas palavras para descrever tudo que o "cheia" significa.  Tão maravilhoso! 
    O Leandro, que nasceu há 4 anos (ele já tem 4 anos! !!) Trouxe para nós alegria e vida!  Nunca nos sentimos tão vivos quanto nos sentimos depois que ele chegou. Ele é a nossa intensidade,  alegria constante,  que nos desafia, nos tira da caixinha,  nos faz perder o chão e aquilo que  acreditávamos que já sabíamos.  Ele nos revela!  Ele mostra quão frágeis somos, e o quanto não estamos aptos à tarefa de cria-lo, até porque o que entendemos por criar não cabe nele.  Ele é muito maior do que a caixinha que tentamos encaixa-lo, o que nos obriga a destruir a caixa e construir uma nova estrutura que comporte.  Que tarefa difícil!  Mas que privilégio! Ele evidencia que não vai dar certo sem Deus no processo, e que estávamos muito enganados quando achamos que seríamos os principais autores desse "empreendimento", na verdade somos coadjuvantes, ajudantes, cooperadores do que Deus,  que é o grande Autor está fazendo.  Isso me assusta as vezes, mas também me traz a paz de saber que o meu Lelê pode desfrutar de um cuidado e apoio que eu não seria jamais capaz de prover a ele. 
   E no fim do ano passado, Deus nos presenteou com a  Isabelinha! Linda!  Doce!  Sensível! Delicada!  Nosso amorzinho, que trouxe com ela serenidade! Nos aumentou a capacidade de desfrutar do melhor da vida.
    Ser mãe de dois é uma experiência única de vida! Muitas questões e inquietações que a chegada da maternidade levantou na minha vida, só encontraram descanso ao longo do primeiro ano sendo mãe de dois. Quando tinha um filho só,  entendia que o meu papel era controlar todas as circunstâncias que houvessem para que ele ficasse bem. Me esforçava para fazer tudo que estivesse ao meu alcance para que o dia dele fosse correto aos meus olhos.  Eliminava o caos, porque foi assim que li, aprendi e entendi que as coisas deveriam ser.  E fazia isso,  e colhia alguns frutos,  mas por outro lado quando eventualidades aconteciam e o caos se instalava, eu surtava e não conseguia lidar com a situação, nem comigo mesma e nem com ele. Muitas crises!  Que tipo de mãe eu era ou que eu deveria ser? Qual o caminho certo?  Qual o melhor método?  Não tinha as respostas,  mas tinha muitas dúvidas,  muita insegurança, muita culpa e muita dificuldade de lidar com o que eu achava que era o olhar acusador do mundo. Que cansaço,  que peso! 
    Planejamos a Isabela por anos!  Enfim,  quando veio,  chegou no meio de um turbilhão de sentimentos e mudanças!  Muito para pouco tempo e pouca gente,  rs. E tínhamos que dar conta.  Quando o assunto é maternidade, você não tem opção, você corre,  e faz dá. Entramos no caos. Muitas vezes e algumas delas duraram muito tempo.  Muitos momentos que a vontade era passar no RH e pedir a conta.  Para quem? ? Éramos os donos da empresa, chamada família.  Então vamos lidar! Vamos enfrentar!  Porque o amor e o desejo de dar certo ainda eram bem maiores. Porque Deus dá sua graça.  Porque família é um presente de Deus e não há nada mais valioso do que o que plantamos em casa.  
    No meio da insanidade do caos,  a falta de recursos  emocionais bloqueia as condições do ego de discernir,  compreender, analisar,  visionar e até mesmo desfrutar.  Então o sentimento é que a vida te levou para um buraco e que mal consegue respirar nele. Mas hoje,  no fim desse ano de tantos desafios e adaptações,  olho para minha família, e vejo o quanto crescemos e mudamos.  Todos nós.  
   Da minha parte, aprendi que caos faz parte da vida e ele desestrutura a nossa falsa e ridícula sensação de controle.  E graças a Deus por isso!  Não é real,  e nos impede de ter um olhar sincero a nosso respeito e a respeito dos outros.  Ele nos faz achar que a vida tem padrão de  funcionamento e que a qualidade de uma família está no quanto cabe nesse padrão. Bobeira. Descobri que não estou nem perto da perfeição,  e mais importante que isso,  não existe perfeição então não preciso correr para alcançá-la, só preciso viver o que tenho para hoje,  da forma que conseguir e não tem nenhum problema se eu falhar ou se hoje não quiser seguir a rotina,  e ficar de bobeira com meus filhos.  Não é a rotina que resolverá todos os problemas (apesar de adorar uma, e reconhecer seu valor).
   Aprendi que mães são habilidosas em fazer auto sacrifícios,  e que isso vem de Deus para nós,  mas que às vezes fazemos sacrifícios desnecessários e que todo sacrifício tem seu preço. A questão é que as vezes tardamos para fazer a conta para saber se o preço que vamos pagar é realmente menor do que o sacrifício que estamos fazendo e se ele é sustentável.  Muitas vezes não é,  e o preço é nossa sanidade e saúde emocional. Nos esquecemos que a mulher é quem determina o humor e clima da casa.  Se esgotamos,  tudo esgota junto com a gente. 
    Aprendi então,  a duras penas, que não é porque filho é prioridade,  que ele é a única. Nós também somos prioridade e precisamos apreciar essa vida da mesma forma que desejamos que eles façam.  Não podemos nos deixar de lado. Não podemos ficar tão envolvidas nas milhares de tarefas que temos a ponto de sermos tomadas por elas e de nós mesmas.  Não é um caminho bom.
    Aprendi que cuidar de mim mesma não é egoísmo. Aprendi que deixar filho chorar por alguns minutos enquanto temos esses mesmos minutos para respirar não vão causar traumas maiores do que ele ter que lidar com uma mãe maluca. 
    Aprendi que Deus tá mais interessado no que eu sou do que no que posso fazer.  Que é possível gastar muito tempo fazendo "coisas para Deus", sem que Deus não esteja realmente envolvido nisso, e que construímos mais sendo do que fazendo. 
    Aprendi coisas que só o doloroso caos poderia ter me ensinado, então aprendi a ama-lo, apesar de também continuar odiando-o, rs
    Aprendi que sou responsável por mim mesma e por minhas emoções,  além do uso do meu tempo e recursos,  e que se as pessoas abusam as vezes,  é porque houve espaço para isso,  mas sempre há caminho de volta!  É sempre possível reconstruir  relacionamentos para que sejam bons e não nocivos. É sempre possível colocar os limites corretos! 
    Aprendi que Deus me é fiel a todo tempo, mesmo quando não vejo nenhum motivo em mim para ele ser, porque ser fiel tem a ver com o caráter dele e não meu mérito.
Aprendi que ditamos a forma como os outros nos tratarão.  E os que não respeitam, se impedimos a falta de respeito,  vão embora. 
   Aprendi a dar valor ao que realmente tem valor, e priorizar quem realmente é prioridade.  Os outros são os outros,  e não podem estar acima dos que priorizamos! 
    Aprendi que Deus me ama, e sempre tem colo para dar. 
    Aprendi que cada um tem seu caminho, que foge das minhas mãos,  mas não das de Deus.
    Aprendi que distância não é motivo para enfraquecer  relacionamentos,  muito pelo contrário,  pode até fortalecer. 
    Aprendi muito, em pouco.

   Meu desejo para 2017? Um ano mais leve,  claro.  Um ano de refrigério. Quero ser mais íntegra nesse ano, mais inteira, mais completa.  Que Deus me ajude e escolha o melhor caminho para mim, porque estou disposta a andar no caminho dele para mim.

domingo, 1 de junho de 2014

Dica de passeio - Diverbraskids

   Escolher um bom passeio para fazer em família que seja divertido para todos, inclusive para o bebê de 1 ano e meio é uma tarefa difícil.  Recentemente descobri uma alternativa muito bacana. Descobri o DIVERBRASKIDS. É um playground especificamente para crianças pequenas! 
   Ele contempla crianças a partir de 8 meses até terem 1,2 mts! Por ser para crianças dessa idade, tudo é "fofinho", todos os  brinquedos são revestidos de forma que existe menos chance da criança se machucar. Além disso, o chão é todo de tatame, absorvendo possíveis impactos.  Por causa disso,  tanto a criança quanto os pais só entram de meia (caso você esqueça a sua,  eles tem para vender e garantir a higiene do local). Me pareceu tudo bem limpo e percebi que os materiais usados são mesmo para facilitar a limpeza.  
   O que gostei muito é que o parque contempla mesmo várias idades. Desde os bem pequenos,  que engatinham até os maiores, já que tem brinquedos grandes como um carrossel de polvo bem fofinho e um escorregador inflável. Tem também piscina de bolinhas,  uma piscina de gel, coberta com plastico maleável,  com vários peixinhos de brinquedo que dá para subir, um escorregador de acrílico, entre muitos outros. Achei interessante a estrutura.  No próprio local tem trocador e itens de higiene para fazer a troca ali mesmo.  
   É possível ainda alugar para festas infantis! Eles possuem recursos para isso. 
 
Uma das coisas que achei mais sensacionais foi o fato de uma de unidades ficar dentro de um shopping, permitindo que você possa contar com toda a estrutura que o shopping oferece!  Foi inclusive nesse que fui com meu marido e meu filho, e foi uma delícia. Fica no shopping Market Place, então aproveitamos para almoçar, dar um pulinho na Livraria Cultura e ainda tomar um cafezinho na Starbucks.  Foi um passeio delicioso para todos nós!  
  O Leandro estranhou um pouco no começo, mas depois se divertiu a valer!  Foi tão gostoso ter esse tempo de diversão em família! Foi precioso,  com certeza voltarei mais vezes! Como fomos durante a semana,  tivemos o parque todo para nós, e eles permitiram que meu marido e eu entrássemos. Quando está cheio, permitem apenas um dos pais.
   Algumas coisas que notei: na entrada, ao fazer o cadastro,  o responsável recebe uma pulseira de identificação e a criança uma etiqueta que é colada nas costas, com o mesmo número,  como medida de segurança; existem brinquedos que somente as crianças podem brincar e entrar; há puffs e monta-montas de tamanho grande para crianças que preferem esse tipo de brinquedo; você controla o tempo que ficará no parque usando como referência o horário que entrou, que fica registrado na pulseira; não achei um programa tão bacana para crianças que ainda não engatinham. 
   Enfim,  adorei o programa e super indico!


Informações  sobre o DIVERBRASKIDS que fica no Shopping Market Place
Valores: é cobrado de acordo com o tempo de permanência - durante a semana,  até às 14:00, o valor é 19,90 a primeira meia hora,  e 10,00 para cada 15 minutos adicionais.  Somente a criança paga,  os acompanhantes não.  Aos finais de semana e durante a semana a partir das 14:00 são 25,00 a primeira meia hora,  e 12,00 para cada 15 minutos adicionais. 
Horário de funcionamento: segue o do shopping, ou seja, das 10:00 às 21:30.

Para os demais unidades,  consulte por telefone.

Site -  http://www.diverbraskids.com.br
Contato- 2672-6000






  

  

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Uma carta às ainda-não-mães


Mandando uma mensagem de aniversário para uma amiga muito querida, que ainda não é mãe, e desejando muito que ela seja mãe em breve, obtive a inspiração para essa postagem. Jujuba, essa é para você! (Estendendo às minhas outras amigas queridas que também são ainda-não-mães). 

Querida Ainda-não-mãe,

   Você provavelmente deve estranhar esse termo, mas de fato não encontrei nenhuma palavra que caracterize uma mulher que ainda não possui um rebentinho, mas deseja tê-lo. Talvez futura-mãe pudesse ser empregado, e provavelmente ficaria melhor colocado, mas não diz o que eu quero dizer. Veja bem, sinto que todas que desejam ter filhos foram chamadas para isso, tanto você quanto eu. Quando meu filho nasceu, há quase um ano e meio atrás, senti no mais profundo das minhas emoções que finalmente estava onde nasci para estar: na cadeira de Mãe. Incrível como a vida fez muito mais sentido! Percebi que nada na vida me dava mais prazer do que cuidar do meu pequeno, e que, ainda que fosse um aprendizado muitas vezes cansativo e penoso, acabava o dia com saudades de cuidar dele de novo, e querendo muito que chegasse o próximo dia (ou a próxima mamada)! E com isso percebi que bem no fundo a maternidade faz parte da vida de toda mulher que um dia deseja ter filhos, mesmo antes de concebe-los. Quando o fato se consuma, os sentimentos, percepções e instintos brotam, como se sempre estivessem por lá, aguardando o momento certo. Desta forma, as ainda-não-mães são muito mais “ainda-não” do que “não-mães”, porque o que as separam da nova realidade é um evento (e que evento! O mais transformador da vida no corpo). De um instante a outro você deixará de ser não-mãe para mãe, e isso muda tudo.
   A começar pela percepção da vida, como se você tivesse um novo óculos que te faz ver a mesma coisa, vista tantas e tantas vezes, de uma maneira diferente, levando em consideração muitas questões que nunca te despertaram antes. Sua percepção de amor muda, passa a ser incondicional, e incondicional passa a ter outro significado, algo mais parecido com eterno. Sua percepção de tempo também será outra. Você mal se lembrará de uma coisa chamada “tempo ocioso”, e provavelmente se ainda o tivesse aproveitaria cada segundo desse tempo, promovendo-o de “tempo ocioso” para “tempo extremamente utilizado” (nem que seja para um belo descanso!).
   Sua percepção de você mesma mudará. O papel de mãe passa a ficar em uso tanto tempo que ele faz uma simbiose com você mesma e fica impossível separar as duas. Mesmo quando estiver cumprindo outros papéis, a mãe em você lhe virá à mente constantemente, trazendo as percepções dela para a realidade que os outros papéis enfrentarem. Por exemplo, profissionalmente, sempre haverá momentos que se lembrará do seu filho durante o dia de trabalho, e você pensará o que o seu bebê deve estar fazendo agora, ou o que faria se estivesse com ele, ou uma lembrança gostosa de alguma gracinha do dia anterior, ou mesmo só saudade, que bate insistentemente em todos os momentos que estamos distantes deles. É bem possível que uma palavra, um som, uma imagem lhe faça lembrar de algo relacionado a ele, e, se o ambiente permitir, você falará dele para encantar também os outros e demonstrar o quanto ele é inteligente, lindo e carinhoso (muito mais do que qualquer outra criança que já nasceu nesse planeta! Rs). Profissionalmente também, a mãe poderá mudar sua capacidade de dedicar-se, afinal a dupla jornada é puxada, e as noites mal dormidas refletem diretamente na memória e na condição intelectual da mamãe. Tem que se dar um desconto!
   Nos outros papéis também sentimos as interferências da “mãe”. No papel de esposa, sentimos uma mudança grande afinal o tempo, antes dedicado ao casal, agora é dividido com as muitas outras atribuições, e corre-se o risco de não sobrar muito.  Haverá dias que no pouco que sobra não há disposição para mais nada além de uma boa noite de descanso! Por outro lado, a “mãe”, quando amparada pelo “pai”, poderá se sentir amada e cuidada, e a parceria entre eles se tornará muito mais forte do que em qualquer outro momento, e isso trará ao casal uma solidez que provavelmente ainda não experimentaram.
   No papel de filha, vão surgir contradições. Se por um lado se sabe o que não se quer repetir, por outro entenderá (finalmente) muitos dos motivos para determinados comportamentos de nossos antecessores. Se por um lado desejará ser a melhor mãe que há em você, por outro perceberá que o melhor nunca será o perfeito, tal como nunca poderia ser perfeita nenhuma outra mãe, inclusive a sua. E que, ainda que se queira ter sua própria forma de criação, nunca será livre da interferência dos padrões plantados em você, tanto os bons quanto os maus. Descobrirá então, olhando pela lente de nova mãe, o quanto somos frágeis, insuficientes, impotentes e tolos, como todos os outros pais.
  Como cidadã, você poderá ver violência, pobreza, fome, divisão desigual de bens, política, cultura, educação, saúde e todo o resto com um olhar beeeeeem diferente. Olhamos sabendo que agora falamos sobre o mundo que os nossos pequenos vão herdar e enfrentar, gerando uma urgência ainda maior em muda-lo, em melhorá-lo, de alguma forma, mesmo que seja com atitudes simples, como separar o lixo reciclável em casa, montar uma horta para próprio consumo, livre de agrotóxicos, evitar desperdícios de água e bens não renováveis, pensar melhor em quem votar e o significado disso, escolher horários mais tranquilos para sair de casa, evitar riscos desnecessários, desejar e incentivar mudanças que tragam algum benefício social, enfim, passamos a desejar ardentemente por mudanças que garantam alguma qualidade de vida para nossos filhos. Ainda que pareça egoísta, não é pois percebo que da mesma forma nos tornamos muito mais sensíveis aos conflitos e problemas que as outras mães passam, e somos muito mais solidárias à dor delas. Situações que antes passariam batido, hoje tocam profundamente a nova mãe, e muitas vezes não conseguimos mais ficar imunes às duras realidades da vida. Não olhamos para uma família sem-teto da mesma forma, não deixamos nossos filhos quentinhos no berço sem nos lembrar que há milhares, talvez milhões de crianças que nunca receberam esse amparo. Não há como ser diferente! Acho que é por isso que existem tantas mobilizações de mulheres. ONGs, associações, movimentos, e etc. lotados de mulheres, quando não chefiados por elas. A maternidade produz em nós um descontentamento com o que está ruim e força para muda-lo. É só olhar ao redor, quantas e quantas guerreiras nos deparamos todos os dias, mulheres que carregam o peso da responsabilidade de suprir integralmente seus filhos, sem apoio de qualquer espécie, e encontram forças para seguir em frente dia após dia, sem retroceder, e ainda guardam alguma energia para um afago delicado nos filhos, afago esse que não recebem da vida. Que força é essa? De onde vem o poder para cumprir tanto e fazer tanto?
   Tenho para mim que essa caixinha que há em cada mulher onde ficam armazenados os recursos necessários para a condição de mãe foi muito bem planejada e arquitetada pelo maior de todos os construtores, O Grande Arquiteto da vida. Acredito que Ele deu uma parte de si à mulher para que aprendesse sobre o amor incondicional que Ele mesmo tem por nós, e compartilhou conosco esse privilégio maior do que nós mesmas que é a possibilidade de gerarmos e nutrirmos a vida, em todas os significados que isso possa ter. Geramos e nutrimos os do nosso sangue e os muitos outros que surgem no caminho. Geramos e nutrimos, como mães, ideias e projetos que produzem vida para os nossos e para outros. Gerar e nutrir, esse é o nosso chamado.
   Bem, minha cara ainda-não-mãe como você pode ver em breve muitas mudanças virão, então enquanto não chega o seu tempo de transformação, aproveite, durma tarde, acorde tarde, namore muito, coma irresponsavelmente (de vez em quando, ok?), quebre com frequência sua rotina, tire muito tempo para você mesma, desfrute do ócio, saia sem hora para voltar, estique os passeios até mais tarde, fale alto em casa o quanto puder, passe horas fazendo depilação, sobrancelha, cuidando do cabelo e das unhas, use seus finais de semana para descansar e sair da rotina, viaje sem planejamento prévio, enfim, faça tudo aquilo que quando o filhote chegar será mais restrito, mas saiba de uma coisa, quando ele chegar você vai se dar conta de que a vida antes dele era muito sem graça e que nem por um segundo gostaria de voltar à ela. =)
Ps.   Ah, outra coisa que você precisa saber antes de sair da condição atual da ainda-não-mãe para mãe é que as teorias de criação de filhos que parecem tão lógicas e óbvias não serão mais assim quando for sua vez. As respostas que todas nós temos para os problemas dos filhos dos outros passam a ser motivo de chacota para nós mesmas. Percebemos o quanto fomos simplistas e o quanto a teoria muitas vezes não diz nada a respeito da prática. Sendo assim, quando alguma delas não der certo para você (porque isso vai acontecer em algum momento), se tranquilize. Realmente parecia muito mais fácil nos livros e nos filhos dos outros do que nos seus, mas isso te dará condições para aprender sobre o seu próprio filho, e como as coisas podem funcionar levando em consideração que ele é único, assim como você e suas condições. Será um aprendizado bacana, acredite.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Geração Hi-Tech


Hoje li um artigo fantástico sobre tecnologia para crianças (10 razões para proibir tecnologia para crianças) e me fez pensar muito sobre a forma como uso tecnologia com o Leandro.
   O Leandro tem agora 1, 4 anos, e segundo a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria, ele não deveria ter nenhum tipo de acesso à tecnologia até os 2 anos, e só a partir de então, ter de forma restrita.
   Confesso que exponho meu filho à tecnologia desde cedo. Eu não gosto muito da ideia de coloca-lo horas na frente da TV, e ele também não acha muita graça. Ainda não descobriu o mundo dos desenhos animados, e honestamente, gosto disso. Mas por outro lado, como sempre gostou muito de música, e pela facilidade de usar os dispositivos tecnológicos para oferecer uma variedade maior de músicas infantis (afinal, o Youtube tem canais inteiros de música dedicados à crianças de várias idades – tentador!), ele  entrou para o mundo da tecnologia bem novinho. Confesso também que acho uma fofura aquele dedinho gordo passando as imagens e vídeos na touchscreen. No entanto, lendo o artigo, com todos os dados e percebendo o tamanho do risco que ele corre, como mãe disposta a proteger seu filhote de qualquer perigo eminente, fico apavorada! E surge uma dúvida enorme.  Ele faz parte da geração ALPHA (nascidos após 2010), e portanto é impossível que ele fique afastado de tecnologia completamente. Seria muito bom ter sido mãe em outra geração (será mesmo?), mas não acho possível criar um filho em meio a tanta tecnologia usando o modelo da minha geração, em que nem todas as crianças tinham videogame, e mesmo as que tinham não eram tão desesperadas por eles como as de hoje. Na nossa geração, a maior alegria de todas era brincar com os amigos ao ar livre. Na minha casa nós tínhamos videogame, mas me lembro que quando tínhamos amigos para brincar não ficávamos o tempo todo jogando, e honestamente as melhores lembranças são as dos momentos que estávamos brincando de outras coisas, escalando muro, subindo telhado, brincando com água e até mesmo de alguns jogos de tabuleiro. Não tenho lembranças marcantes de momentos que estávamos sentados em frente á televisão com um joystick na mão. Fico pensando que quero que meu filho tenha boas histórias para contar, e com certeza não será jogando videogame ou no computador o dia todo que elas acontecerão, afinal a vida acontece fora das telas e não dentro delas. Preciso me lembrar de ensinar isso a ele.
   Mas voltando ao dilema de como evitar os efeitos nocivos da tecnologia e não deixar meu filho totalmente alienado de sua geração (afinal, se você ainda não notou, é sobre isso que estamos falando, rs) eu não tenho respostas. Mas acho que sei o que quero para o meu pequeno. Sei que quero que tenha boas histórias de arte para contar. Sei que quero que tenha amigos para toda a vida. Sei que quero que seja conhecido em toda a vizinhança e que nunca corra o risco de ser a criança que os vizinhos nunca veem porque passa o dia todo enfurnado em casa.  Sei que quero que não tenha nenhum acesso á pessoas mal intencionadas espalhadas pela rede. Sei que quero que nunca fique viciado em conteúdos inapropriados. Sei que quero passar carão algumas vezes pedindo desculpas por artes absolutamente inteligentes que ele fez. Sei que quero que saiba se relacionar tranquilamente com todo mundo. Sei que quero que seja adepto dos esportes, ainda que puxe a mamãe e não seja realmente bom em nenhum, rs. Sei que quero que viva na realidade e não mundo virtual. Quero que tenha segurança de expor seus pensamentos, ideias e sentimentos no mundo real e não só virtualmente, especialmente com conhecidos. Enfim, quero que seja feliz sendo ele mesmo, convivendo (com intimidade emocional!) com as pessoas que são importantes para ele, e para quem ele é importante, tal como seu pai e eu.
   Olhando para minha lista, já posso pensar em algumas medidas que preciso tomar hoje para colher esses frutos amanhã. A primeira delas é que não posso querer para ele algo que não vivo, ou seja, a mamãe não pode ser virtual o tempo todo também (desafio hein? Largar de lado a tecnologia com muito mais frequência!). A segunda é que não posso acostuma-lo a passar horas na frente da TV/ tablet/ computador/ smartphones, mesmo que seja para ganhar um tempinho extra para as tarefas que nunca consigo fazer quando ele está perto (mais um desafio! Que meu tempo se multiplique então! Rs). Terceira, oferecer mais atividades gostosas e estimulantes que o ensinem desde cedo que brincar é muito bom! (terceiro desafio – caçar muitas e boas atividades para fazer com ele, que se encaixem nos quesitos diversão e educação). Well, well, well, novos desafios pela frente, e mais um, de manter vocês, queridos leitores, atualizados sobre os recursos que tenho usado para que possam criar boas lembranças com seus filhos também! Vamos em frente?

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Primeiros passos

   Faz muito tempo que não escrevo, por uma série de motivos, entre eles a incerteza sobre o que escrever. Estou num momento com o Leandro de muitas dúvidas e questionamentos, e poucas certezas, então tenho preferido não escrever a escrever sobre coisas que parecem mais ou menos certas no momento, e podem mudar completamente num futuro breve. Por uma questão de coerência (e também falta de tempo), tenho me abstido de publicar os conceitos novos que estou formando para que mais tarde não acabe postando conceitos contraditórios. Estou “me formando” primeiro para então dizer o que penso, mas espero voltar em breve!

   No entanto hoje é um dia tão especial que precisava escrever! Hoje meu pitico deu seus primeiros passinhos. Foi tão gostoso e tão interessante viver esse momento com ele. Ele fez 1 aninho há duas semanas e meia atrás, e honestamente sempre achei que andaria muito antes do primeiro aniversário, mas filhos são surpreendentes, eles fazem as coisas no tempo que tem que fazer e não no tempo que achamos que eles farão (isso é uma lição e tanto para uma mãe ansiosa! Kkk). Nas últimas semanas senti sentimentos contraditórios em relação a isso. Por um lado, queria muito que ele andasse logo e se desenvolvesse porque esse marco de desenvolvimento o leva a uma independência muito maior! Por outro, justamente essa independência toda me assustou. A sensação que tive é que a partir do momento que ele andasse, ele deixaria de ser o bebê da mamãe, e passaria a ser o menininho da mamãe. Bobeira, né? Mas foi o que senti, que perderia o bebezinho nele para dar lugar a um menininho (muito lindo, por sinal) dentro dele. Eu cheguei a sonhar com isso (meu inconsciente gritando algumas coisas que o consciente não queria enxergar?), que estava segurando o desenvolvimento dele porque algo seria perdido com isso. E o mais interessante é que a hora que “liberei-o” dentro de mim, em pouco tempo deu seus passinhos. Acredito que até pelo fato de que pude passar mais confiança à ele, para que ele se sentisse seguro. De fato, os primeiros passos são dados quando a dinâmica confiança e autoconfiança acontece bem. A confiança que transmitimos que é bom isso que está por vir, que ele pode confiar que iremos segurá-lo se tiver risco de cair, que ele pode confiar em si mesmo porque já é capaz de fazer isso sozinho. É linda demais essa dinâmica, e quando ele finalmente consegue, e expressa alegria nisso, como foi com o Leandro, vemos o quanto ele sente que confiamos nele, que o amamos e que pode confiar em nós em situações de desafios porque não o colocaremos em situações que não sejam boas para ele. Não é muito lindo isso? Tem como não ficar emocionada com isso?

   Hoje ele andou. Há muitos passos para andar, por caminhos que nem sempre poderei guia-lo ou estar a sua frente para garantir que ficará seguro em todo o percurso. Os que puder, e for saudável para nós dois, quero estar, mas aqueles que são só dele quero aprender a confiar que ficará bem e respeitar que o caminho dele é só dele, e que como mãezinha dele posso (e devo!) orar para que todos os seus passos sejam guiados pelo melhor guia que ele poderá ter na vida, que nunca o colocará em “frias” e mesmo quando ele se colocar nelas (sim, porque ele vai, como todo mundo), Ele é poderoso para sustenta-lo e garantir que saia de lá com as lições certas aprendidas, mas acima de tudo, que Ele é lugar seguro para sempre voltar.


“Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele”.
Provérbios 22:6

terça-feira, 8 de outubro de 2013

As Cinco Linguagens do Amor

   O Leandro completa um aninho no próximo mês (já!), e quanto mais ele cresce mais percebo o quanto a tarefa da maternidade é complexa. Assim como nos games, a cada nível você possui novos desafios, mas também mais instrumentos para vencer. Os novos desafios não são necessariamente mais difíceis do que os anteriores. Algumas vezes são só diferentes, mas sempre exigem um pouco mais dos pais. E volta e meia me pego pensando se nos “níveis anteriores” cumpri com tudo o que o Leandro precisava, se ganhei com pontuação máxima, ou se passei sem muitos bônus. Om nossos filhos, diferente dos games, que nos mostram no final de cada fase como nos saímos, não teremos como saber. Talvez quando o jogo já estiver em níveis mais avançados possamos vislumbrar o que foi construído com alegria (essa é nossa esperança, não é mesmo? Rs), mas isso pode demorar e se o que plantamos não foi suficiente, não há como resetar o jogo e começar tudo de novo. Então, na minha opinião é melhor tentar jogar o jogo da criação dos nossos filhos tentando atingir o máximo de pontos possível!
   Pensando nisso, tenho me lembrado com frequência de uma excelente literatura chamada “As cinco linguagens do amor”, de Gary Chapman, que fala sobre como demonstrar amor à outras pessoas de forma que elas se sintam amadas. O que o autor sugere que só conseguimos fazer com que outras pessoas se sintam amadas por nós quando falamos na linguagem de amor delas, assim como só nos sentimos amados quando falam na nossa linguagem. Ao tentarmos demonstrar amor à alguém falando numa linguagem diferente é exatamente como um americano tentando se comunicar com um japonês, ou um brasileiro com um russo. Embora estejam se comunicando, a mensagem não atingirá o ouvinte. Segundo Chapman, todos temos um Banco do amor que precisa estar sempre cheio. O banco de amor é uma espécie de tanque que armazenamos as porções de amor que recebemos de pessoas importantes para nós, como nossos pais ou cônjuges. Conforme a vida e as situações necessitam, fazemos retiradas dessas reservas, fazendo com que precisem frequentemente de reabastecimento.  
   Para encher o tanque, existem 5 tipos linguagens de amor: Palavra de Afirmação, Toque Físico, Presentes, Tempo de Qualidade e Atos de Serviço. Resumidamente (resumida mesmo, mas te incentivo a ler o livro), Palavra de afirmação são frases que usamos para afirmar outra pessoas, falando sobre o quanto são importantes para nós ou ressaltando suas qualidades; Toque Físico diz respeito a todo toque saudável, carinhos, beijos, abraços, massagens, etc; Presentes podem ser tanto presentes caros quanto presentinhos que damos sem motivo, por exemplo um bombom no fim do dia, um cartão inesperado ou um algo que faz lembrar a pessoa. O Tempo de qualidade acontece em momentos que passamos junto a pessoa que desejamos demonstrar afeição fazendo algo que seja prazeroso para ela. O tempo que passamos, por exemplo, em frente a TV não conta, já que, embora estejamos juntos, não estamos em relacionamento. Por fim, Atos de serviço é tudo aquilo que fazemos para alguém, por exemplo, um bolo, uma comidinha, uma tarefa que a pessoa não gosta de fazer e fazemos por ela, lavar o carro, enfim, diz respeito à serviços que prestamos por amor.
   Ao longo da vida nos tornamos mais sensíveis a uma ou duas dessas linguagens, então quando alguém fala na nossa língua, conseguimos entender com exatidão e nos sentimos amados. Com nossos pequenos funciona da mesma maneira. É claro que é bem difícil saber qual é a linguagem que melhor cumpre o papel de fazê-los se sentirem amados, já que são tão ticos e nem eles mesmo o sabem, então penso que devemos nos esforçar para falar intensamente em todas as linguagens até que percebamos qual é a que mais os toca. O que achei fantástico é que, sem querer, quando nascem, já fazemos isso! Na linguagem de Persentes, falamos ao preparar todo o enxoval com carinho procurando providenciar tudo o que eles precisam para chegarem ao mundo da forma mais confortável que podemos oferecer. Além disso, são inúmeros os presentes que ganham tanto nos chás quanto nas visitas que recebemos logo que nascem. Toque Físico é o que mais fazemos! Acolhemos, acalentamos, ninamos, damos banho, fazemos massagem e enchemos de carinho! E achamos uma delícia fazer isso! Da mesma forma, Atos de serviço fazemos naturalmente – amamentamos, trocamos fralda,  banhamos, preparamos mamadeira, limpamos o quartinho, e tantas outras coisas, sem que seja um peso. Fazemos com alegria! Palavras de afirmação saem da nossa boca para os nossos pequenos, mesmo sem percebermos. Não cansamos de dizer o quanto os amamos, o quanto são bem vindo, o quanto desejamos que Deus os abençoe, o quando o achamos cheirosos, gostosos, lindos, fofinhos, espertos, amados, e tantos outros adjetivos que surgem ao longo do amadurecimento deles. Por fim, Tempo de Qualidade, que acaba sendo tudo isso junto! O quanto é gostoso passar tempo com eles, dando toque, afirmação, fazendo coisas que precisam e gostam, enfim, os amando. Passamos tempo estimulando-os, brincando de tudo o que percebemos que já acompanham, investimos em brinquedos e jogos e quando gostam fazemos a mesma brincadeira 9 milhões de vezes!

  Com o tempo, na medida que eles se tornam mais independentes de nós, falar na linguagem de amor deles vai deixando de ser natural, de acontecer espontaneamente já que muitas coisas conseguem (e precisam!) fazer sozinhos. Nos tornamos menos “necessárias”, e pode acontecer de simplesmente deixarmos de demonstrar intensamente amor em todas as linguagens. Percebo que nesse momento precisamos tornar isso intencional, ou seja, não mais fazer porque não são capazes de sobreviver sem nossa ajuda, mas apenas porque os amamos e queremos que sintam isso. É fato que as inúmeras tarefas consomem nosso tempo e disposição, mas acredito que volta e meia precisamos nos lembrar o que é prioridade e investir nisso. É mais importante manter a casa completamente em ordem ou ter um tempinho a mais para brincar com nossos piticos? É mais importante fazer horas extras na empresa (para quem trabalha) ou garantir que nossos filhos terão um bom tempo conosco e se sentirão amados? Eu não sei qual é a sua realidade, não sei o que rouba seu tempo e disposição, mas sei o que é na minha e sei no que preciso vigiar. Então fica a dica, será que tem algo que rouba seu tempo e você não está percebendo? Watch out!

sábado, 14 de setembro de 2013

Desfrutar – uma capacidade necessária à maternidade

   Quando decidi engravidar, e durante a gravidez, sabia que a experiência de ser mãe traria mudanças à minha vida, já que era uma super novidade. Ainda mais para mim, que nunca tinha trocado uma fralda! (pasmem, nunca mesmo, aprendi na maternidade, com a enfermeira, trocando a do meu filho! Posso dizer que nunca troquei uma fralda que não fosse do Lelê, rs por enquanto!), mas não tinha ideia do quanto mudaria!
   Há umas semanas atrás estava fazendo o Leandro dormir, e me dei conta de uma das grandes mudanças que ocorreram em mim. Eu nunca fui uma mulher muito delicadinha, princesinha do papai. Na minha casa, meu irmão e eu fomos criados da mesma maneira. Que me lembre, durante toda a infância eu nunca fui favorecida ou preterida pelo fato de ser menina. Talvez meu irmão se lembre disso diferente de mim, mas a forma como eu senti foi essa. Não existia “tarefa de menino” ou “tarefa de menina”, ele ajudava a arrumar a cozinha, quando precisava e eu ajudava nas pequenas manutenções da casa quando meu pai solicitava. Honestamente, acho muito bom porque aprendi coisas como trocar pneu, usar a furadeira e lavar carro, que me ajudaram mais tarde. Sou muito grata aos pais por isso. Eles me ensinaram a me viram quando precisasse. Está certo que depois que casei foi abandonando todas essas tarefas, mas eu (acho que) ainda me lembro como realiza-las numa situação de emergência. Enfim, concluindo, essa coisa bem feminina, bem moça, delicada, que gostava de brincar de bonecas, etc, nunca foi a minha. (Acho que é por isso que nunca tinha trocado fralda, quem seria a doida que me deixaria fazer isso! Rs). Sou muito mais pragmática e objetiva. Gosto de dados realistas e pouco românticos. No entanto, com a chegada do Leandro, e todos os sentimentos, desafios, vitórias e aprendizados que vieram com ele, sentimentos mais delicados, doces e leves despertaram e pude olhar para mim de forma diferente e gostar muito do que vi.
   Ainda que eu fosse uma mulher mais racional e menos emocional, a maternidade tocou as minhas emoções de forma delicada e me deu a oportunidade de abrir um novo olhar para o mundo e as coisas ao meu redor, e encara-las levando em consideração outros pontos e valores que até então não eram tão importantes. E isso me trouxe uma capacidade que sempre me faltou: de desfrutar o momento sem a preocupação com o futuro ou afazeres. O tempo com nossos filhos é tão curto, eles crescem tão rápido, aprendem e mudam da noite para o dia, que se não desfrutamos aquele segundo com eles, nunca mais faremos porque eles já serão diferentes amanhã, e nós também.  Essa capacidade de viver a cada dia é maravilhosa! É a capacidade de se entregar ao momento, deixando de lado o que pode ser deixado de lado (o que é muita coisa! Muita coisa pode ser deixada de lado!). Isso me ajuda a descansar e deixar as preocupações e o amanhã com quem eles pertencem – Deus.
   Com nossos filhos, precisamos nos oferecer inteiras, e essas preocupações e ansiedades nos tomam de tal forma que roubam parte das nossas energias e entusiasmo pela vida. Deixamos de nos entregar completas ao relacionamento com eles, e eles sentirão a falta da mamãe, ainda que ela esteja presente em corpo. Muito além dos braços, peito e colo da mamãe, sinto que os filhos precisam da alma e do coração dela. Eles se enxergaram primeiro através da mãe e do pai, para então conseguirem se ver sozinhos, independentes. Se não tiverem o auxílio dos pais (o alter ego, para os psicanalistas de plantão, rs), poderão ter prejuízo no “processo de fabricação”. O modelo pode sair diferente do planejado e talvez não haja conserto. Portanto, hoje é o momento de deixar tudo de lado e pegar seu filhote gostoso no colo de forma que ele sinta que o seu abraço é um abraço de corpo e alma, que você está completamente disponível à ele, e que ele não precisará dividir sua atenção com mais nada. Você é todinha dele, e assim ele recebe seu amor incondicional por ele!


   Que o Deus da graça nos ajuda a nos entregarmos todos os dias aos nossos filhos!