sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

2016 - um balanço

    Fazem mais de 2 anos que não escrevo aqui.  Me pareceram 4.
    Durante esse tempo houveram muitos momentos que quis escrever,  que tinha inspirações,  mas por  circunstâncias da vida, não fiz.  Mas hoje quis de novo,  e mais do que isso,  preciso.  Como já escrevi antes, escrever me ajuda a me organizar internamente. Me ajuda a colocar as coisas nos seus devidos lugares, e  providenciar espaço para o novo.  
    2016 foi um ano intenso.  Veio na rebarba de 2015, outro ano intenso. Precisava fazer esse balanço para me reencontrar. Para fazer um balanço dos ganhos e das perdas,  para ver que as aparentes perdas na verdade tornam-se ganhos,  por causa do aprendizado que elas trazem.  
    2016 - mãe de dois!  Dois filhos incríveis que Deus me deu. Que presente, que privilégio,  que alegria me trazem!  Como me sinto cheia com eles! Me sinto cercada de amor, amor de Deus,  de uma forma tão profunda que nem tenho muitas palavras para descrever tudo que o "cheia" significa.  Tão maravilhoso! 
    O Leandro, que nasceu há 4 anos (ele já tem 4 anos! !!) Trouxe para nós alegria e vida!  Nunca nos sentimos tão vivos quanto nos sentimos depois que ele chegou. Ele é a nossa intensidade,  alegria constante,  que nos desafia, nos tira da caixinha,  nos faz perder o chão e aquilo que  acreditávamos que já sabíamos.  Ele nos revela!  Ele mostra quão frágeis somos, e o quanto não estamos aptos à tarefa de cria-lo, até porque o que entendemos por criar não cabe nele.  Ele é muito maior do que a caixinha que tentamos encaixa-lo, o que nos obriga a destruir a caixa e construir uma nova estrutura que comporte.  Que tarefa difícil!  Mas que privilégio! Ele evidencia que não vai dar certo sem Deus no processo, e que estávamos muito enganados quando achamos que seríamos os principais autores desse "empreendimento", na verdade somos coadjuvantes, ajudantes, cooperadores do que Deus,  que é o grande Autor está fazendo.  Isso me assusta as vezes, mas também me traz a paz de saber que o meu Lelê pode desfrutar de um cuidado e apoio que eu não seria jamais capaz de prover a ele. 
   E no fim do ano passado, Deus nos presenteou com a  Isabelinha! Linda!  Doce!  Sensível! Delicada!  Nosso amorzinho, que trouxe com ela serenidade! Nos aumentou a capacidade de desfrutar do melhor da vida.
    Ser mãe de dois é uma experiência única de vida! Muitas questões e inquietações que a chegada da maternidade levantou na minha vida, só encontraram descanso ao longo do primeiro ano sendo mãe de dois. Quando tinha um filho só,  entendia que o meu papel era controlar todas as circunstâncias que houvessem para que ele ficasse bem. Me esforçava para fazer tudo que estivesse ao meu alcance para que o dia dele fosse correto aos meus olhos.  Eliminava o caos, porque foi assim que li, aprendi e entendi que as coisas deveriam ser.  E fazia isso,  e colhia alguns frutos,  mas por outro lado quando eventualidades aconteciam e o caos se instalava, eu surtava e não conseguia lidar com a situação, nem comigo mesma e nem com ele. Muitas crises!  Que tipo de mãe eu era ou que eu deveria ser? Qual o caminho certo?  Qual o melhor método?  Não tinha as respostas,  mas tinha muitas dúvidas,  muita insegurança, muita culpa e muita dificuldade de lidar com o que eu achava que era o olhar acusador do mundo. Que cansaço,  que peso! 
    Planejamos a Isabela por anos!  Enfim,  quando veio,  chegou no meio de um turbilhão de sentimentos e mudanças!  Muito para pouco tempo e pouca gente,  rs. E tínhamos que dar conta.  Quando o assunto é maternidade, você não tem opção, você corre,  e faz dá. Entramos no caos. Muitas vezes e algumas delas duraram muito tempo.  Muitos momentos que a vontade era passar no RH e pedir a conta.  Para quem? ? Éramos os donos da empresa, chamada família.  Então vamos lidar! Vamos enfrentar!  Porque o amor e o desejo de dar certo ainda eram bem maiores. Porque Deus dá sua graça.  Porque família é um presente de Deus e não há nada mais valioso do que o que plantamos em casa.  
    No meio da insanidade do caos,  a falta de recursos  emocionais bloqueia as condições do ego de discernir,  compreender, analisar,  visionar e até mesmo desfrutar.  Então o sentimento é que a vida te levou para um buraco e que mal consegue respirar nele. Mas hoje,  no fim desse ano de tantos desafios e adaptações,  olho para minha família, e vejo o quanto crescemos e mudamos.  Todos nós.  
   Da minha parte, aprendi que caos faz parte da vida e ele desestrutura a nossa falsa e ridícula sensação de controle.  E graças a Deus por isso!  Não é real,  e nos impede de ter um olhar sincero a nosso respeito e a respeito dos outros.  Ele nos faz achar que a vida tem padrão de  funcionamento e que a qualidade de uma família está no quanto cabe nesse padrão. Bobeira. Descobri que não estou nem perto da perfeição,  e mais importante que isso,  não existe perfeição então não preciso correr para alcançá-la, só preciso viver o que tenho para hoje,  da forma que conseguir e não tem nenhum problema se eu falhar ou se hoje não quiser seguir a rotina,  e ficar de bobeira com meus filhos.  Não é a rotina que resolverá todos os problemas (apesar de adorar uma, e reconhecer seu valor).
   Aprendi que mães são habilidosas em fazer auto sacrifícios,  e que isso vem de Deus para nós,  mas que às vezes fazemos sacrifícios desnecessários e que todo sacrifício tem seu preço. A questão é que as vezes tardamos para fazer a conta para saber se o preço que vamos pagar é realmente menor do que o sacrifício que estamos fazendo e se ele é sustentável.  Muitas vezes não é,  e o preço é nossa sanidade e saúde emocional. Nos esquecemos que a mulher é quem determina o humor e clima da casa.  Se esgotamos,  tudo esgota junto com a gente. 
    Aprendi então,  a duras penas, que não é porque filho é prioridade,  que ele é a única. Nós também somos prioridade e precisamos apreciar essa vida da mesma forma que desejamos que eles façam.  Não podemos nos deixar de lado. Não podemos ficar tão envolvidas nas milhares de tarefas que temos a ponto de sermos tomadas por elas e de nós mesmas.  Não é um caminho bom.
    Aprendi que cuidar de mim mesma não é egoísmo. Aprendi que deixar filho chorar por alguns minutos enquanto temos esses mesmos minutos para respirar não vão causar traumas maiores do que ele ter que lidar com uma mãe maluca. 
    Aprendi que Deus tá mais interessado no que eu sou do que no que posso fazer.  Que é possível gastar muito tempo fazendo "coisas para Deus", sem que Deus não esteja realmente envolvido nisso, e que construímos mais sendo do que fazendo. 
    Aprendi coisas que só o doloroso caos poderia ter me ensinado, então aprendi a ama-lo, apesar de também continuar odiando-o, rs
    Aprendi que sou responsável por mim mesma e por minhas emoções,  além do uso do meu tempo e recursos,  e que se as pessoas abusam as vezes,  é porque houve espaço para isso,  mas sempre há caminho de volta!  É sempre possível reconstruir  relacionamentos para que sejam bons e não nocivos. É sempre possível colocar os limites corretos! 
    Aprendi que Deus me é fiel a todo tempo, mesmo quando não vejo nenhum motivo em mim para ele ser, porque ser fiel tem a ver com o caráter dele e não meu mérito.
Aprendi que ditamos a forma como os outros nos tratarão.  E os que não respeitam, se impedimos a falta de respeito,  vão embora. 
   Aprendi a dar valor ao que realmente tem valor, e priorizar quem realmente é prioridade.  Os outros são os outros,  e não podem estar acima dos que priorizamos! 
    Aprendi que Deus me ama, e sempre tem colo para dar. 
    Aprendi que cada um tem seu caminho, que foge das minhas mãos,  mas não das de Deus.
    Aprendi que distância não é motivo para enfraquecer  relacionamentos,  muito pelo contrário,  pode até fortalecer. 
    Aprendi muito, em pouco.

   Meu desejo para 2017? Um ano mais leve,  claro.  Um ano de refrigério. Quero ser mais íntegra nesse ano, mais inteira, mais completa.  Que Deus me ajude e escolha o melhor caminho para mim, porque estou disposta a andar no caminho dele para mim.