Quando decidi engravidar, e
durante a gravidez, sabia que a experiência de ser mãe traria mudanças à minha
vida, já que era uma super novidade. Ainda mais para mim, que nunca tinha
trocado uma fralda! (pasmem, nunca mesmo, aprendi na maternidade, com a
enfermeira, trocando a do meu filho! Posso dizer que nunca troquei uma fralda
que não fosse do Lelê, rs por enquanto!), mas não tinha ideia do quanto
mudaria!
Há umas semanas atrás estava fazendo
o Leandro dormir, e me dei conta de uma das grandes mudanças que ocorreram em
mim. Eu nunca fui uma mulher muito delicadinha, princesinha do papai. Na minha
casa, meu irmão e eu fomos criados da mesma maneira. Que me lembre, durante
toda a infância eu nunca fui favorecida ou preterida pelo fato de ser menina.
Talvez meu irmão se lembre disso diferente de mim, mas a forma como eu senti
foi essa. Não existia “tarefa de menino” ou “tarefa de menina”, ele ajudava a
arrumar a cozinha, quando precisava e eu ajudava nas pequenas manutenções da
casa quando meu pai solicitava. Honestamente, acho muito bom porque aprendi
coisas como trocar pneu, usar a furadeira e lavar carro, que me ajudaram mais
tarde. Sou muito grata aos pais por isso. Eles me ensinaram a me viram quando
precisasse. Está certo que depois que casei foi abandonando todas essas
tarefas, mas eu (acho que) ainda me lembro como realiza-las numa situação de
emergência. Enfim, concluindo, essa coisa bem feminina, bem moça, delicada, que
gostava de brincar de bonecas, etc, nunca foi a minha. (Acho que é por isso que
nunca tinha trocado fralda, quem seria a doida que me deixaria fazer isso! Rs).
Sou muito mais pragmática e objetiva. Gosto de dados realistas e pouco românticos.
No entanto, com a chegada do Leandro, e todos os sentimentos, desafios,
vitórias e aprendizados que vieram com ele, sentimentos mais delicados, doces e
leves despertaram e pude olhar para mim de forma diferente e gostar muito do que
vi.
Ainda que eu fosse uma mulher
mais racional e menos emocional, a maternidade tocou as minhas emoções de forma
delicada e me deu a oportunidade de abrir um novo olhar para o mundo e as
coisas ao meu redor, e encara-las levando em consideração outros pontos e
valores que até então não eram tão importantes. E isso me trouxe uma capacidade
que sempre me faltou: de desfrutar o momento sem a preocupação com o futuro ou
afazeres. O tempo com nossos filhos é tão curto, eles crescem tão rápido,
aprendem e mudam da noite para o dia, que se não desfrutamos aquele segundo com
eles, nunca mais faremos porque eles já serão diferentes amanhã, e nós também. Essa capacidade de viver a cada dia é
maravilhosa! É a capacidade de se entregar ao momento, deixando de lado o que
pode ser deixado de lado (o que é muita coisa! Muita coisa pode ser deixada de
lado!). Isso me ajuda a descansar e deixar as preocupações e o amanhã com quem
eles pertencem – Deus.
Com nossos filhos, precisamos nos
oferecer inteiras, e essas preocupações e ansiedades nos tomam de tal forma que
roubam parte das nossas energias e entusiasmo pela vida. Deixamos de nos
entregar completas ao relacionamento com eles, e eles sentirão a falta da
mamãe, ainda que ela esteja presente em corpo. Muito além dos braços, peito e
colo da mamãe, sinto que os filhos precisam da alma e do coração dela. Eles se enxergaram
primeiro através da mãe e do pai, para então conseguirem se ver sozinhos,
independentes. Se não tiverem o auxílio dos pais (o alter ego, para os psicanalistas
de plantão, rs), poderão ter prejuízo no “processo de fabricação”. O modelo
pode sair diferente do planejado e talvez não haja conserto. Portanto, hoje é o
momento de deixar tudo de lado e pegar seu filhote gostoso no colo de forma que
ele sinta que o seu abraço é um abraço de corpo e alma, que você está completamente
disponível à ele, e que ele não precisará dividir sua atenção com mais nada.
Você é todinha dele, e assim ele recebe seu amor incondicional por ele!
Que o Deus da graça nos ajuda a
nos entregarmos todos os dias aos nossos filhos!
