Hoje li um artigo fantástico sobre tecnologia
para crianças (10 razões para proibir tecnologia para crianças) e
me fez pensar muito sobre a forma como uso tecnologia com o Leandro.
O Leandro tem agora 1, 4 anos, e segundo a Academia
Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria, ele não deveria
ter nenhum tipo de acesso à tecnologia até os 2 anos, e só a partir de então,
ter de forma restrita.
Confesso que exponho meu filho à tecnologia
desde cedo. Eu não gosto muito da ideia de coloca-lo horas na frente da TV, e
ele também não acha muita graça. Ainda não descobriu o mundo dos desenhos
animados, e honestamente, gosto disso. Mas por outro lado, como sempre gostou
muito de música, e pela facilidade de usar os dispositivos tecnológicos para
oferecer uma variedade maior de músicas infantis (afinal, o Youtube tem canais
inteiros de música dedicados à crianças de várias idades – tentador!), ele entrou para o mundo da tecnologia bem novinho.
Confesso também que acho uma fofura aquele dedinho gordo passando as imagens e
vídeos na touchscreen. No entanto, lendo o artigo, com todos os dados e
percebendo o tamanho do risco que ele corre, como mãe disposta a proteger seu
filhote de qualquer perigo eminente, fico apavorada! E surge uma dúvida
enorme. Ele faz parte da geração ALPHA
(nascidos após 2010), e portanto é impossível que ele fique afastado de
tecnologia completamente. Seria muito bom ter sido mãe em outra geração (será
mesmo?), mas não acho possível criar um filho em meio a tanta tecnologia usando
o modelo da minha geração, em que nem todas as crianças tinham videogame, e
mesmo as que tinham não eram tão desesperadas por eles como as de hoje. Na
nossa geração, a maior alegria de todas era brincar com os amigos ao ar livre.
Na minha casa nós tínhamos videogame, mas me lembro que quando tínhamos amigos
para brincar não ficávamos o tempo todo jogando, e honestamente as melhores lembranças
são as dos momentos que estávamos brincando de outras coisas, escalando muro,
subindo telhado, brincando com água e até mesmo de alguns jogos de tabuleiro.
Não tenho lembranças marcantes de momentos que estávamos sentados em frente á
televisão com um joystick na mão. Fico pensando que quero que meu filho tenha
boas histórias para contar, e com certeza não será jogando videogame ou no computador
o dia todo que elas acontecerão, afinal a vida acontece fora das telas e não
dentro delas. Preciso me lembrar de ensinar isso a ele.
Mas voltando ao dilema de como evitar os
efeitos nocivos da tecnologia e não deixar meu filho totalmente alienado de sua
geração (afinal, se você ainda não notou, é sobre isso que estamos falando, rs)
eu não tenho respostas. Mas acho que sei o que quero para o meu pequeno. Sei
que quero que tenha boas histórias de arte para contar. Sei que quero que tenha
amigos para toda a vida. Sei que quero que seja conhecido em toda a vizinhança e
que nunca corra o risco de ser a criança que os vizinhos nunca veem porque
passa o dia todo enfurnado em casa. Sei
que quero que não tenha nenhum acesso á pessoas mal intencionadas espalhadas
pela rede. Sei que quero que nunca fique viciado em conteúdos inapropriados. Sei
que quero passar carão algumas vezes pedindo desculpas por artes absolutamente
inteligentes que ele fez. Sei que quero que saiba se relacionar tranquilamente
com todo mundo. Sei que quero que seja adepto dos esportes, ainda que
puxe a mamãe e não seja realmente bom em nenhum, rs. Sei que quero que viva na
realidade e não mundo virtual. Quero que tenha segurança de expor seus
pensamentos, ideias e sentimentos no mundo real e não só virtualmente,
especialmente com conhecidos. Enfim, quero que seja feliz sendo ele mesmo,
convivendo (com intimidade emocional!) com as pessoas que são importantes para
ele, e para quem ele é importante, tal como seu pai e eu.
Olhando para minha lista, já posso pensar em
algumas medidas que preciso tomar hoje para colher esses frutos amanhã. A
primeira delas é que não posso querer para ele algo que não vivo, ou seja, a
mamãe não pode ser virtual o tempo todo também (desafio hein? Largar de lado a
tecnologia com muito mais frequência!). A segunda é que não posso acostuma-lo a
passar horas na frente da TV/ tablet/ computador/ smartphones, mesmo que seja
para ganhar um tempinho extra para as tarefas que nunca consigo fazer quando
ele está perto (mais um desafio! Que meu tempo se multiplique então! Rs).
Terceira, oferecer mais atividades gostosas e estimulantes que o ensinem desde
cedo que brincar é muito bom! (terceiro desafio – caçar muitas e boas
atividades para fazer com ele, que se encaixem nos quesitos diversão e
educação). Well, well, well, novos desafios pela frente, e mais um, de manter vocês,
queridos leitores, atualizados sobre os recursos que tenho usado para que
possam criar boas lembranças com seus filhos também! Vamos em frente?
