Ansiedade de separação é algo que
acontece na vida de todos os bebês e chega por volta dos 7 meses. O principal “sintoma”
dela é a criança, que sempre ficou tranquilamente com qualquer pessoa e longe
da mamãe (ou de quem mais cuida dela), passa a chorar toda vez que se vê longe
dessa pessoa, mesmo que seja por um segundo.
O bebê pode até não “estranhar” outras pessoas, mas fica antenado na mãe
quase que o tempo todo, como se quisesse garantir que ela ainda está ali por
perto. Pode inclusive se recusar a ir em outro colo, ou ficar tentando voltar para
o colo da mãe toda vez que sai dele.
Isso acontece porque, de forma bem simples, o bebê está amadurecendo e
se percebendo como pessoa diferente da mamãe (ou de quem mais cuida dele).
Assim como no tempo da gravidez, quando o bebê nasce ele ainda acredita
que ele e a mamãe são uma coisa só. Nos três primeiros meses, o comportamento do
bebê se reduz a reflexos (aquelas risadinhas não intencionais e os espasmos,
por exemplo) e movimentos simples (mexer as mãos e os pés, por exemplo). Quando
tem aproximadamente 4 meses, eles já são capazes de perceber que o choro serve
para chamar alguém e com isso descobrem que conseguem fazer coisas de acordo
com sua vontade (e não só necessidade ou reflexo) e que isso causa algum efeito
em outras pessoas (Com o Leandro, mais ou menos nessa fase ele se divertia
quando gritava e a gente gritava de volta, imitando o som. Ele ficava extasiado
por perceber que estávamos fazendo o som dele! Rs).
Na mesma medida que vai ganhando outras habilidades e absorvendo tudo ao
seu redor, vai se dando conta de que ele e a mamãe não são uma única coisa, que
ele pode fazer coisas por vontade própria, independente da mamãe. Isso é um
grande marco cognitivo, que precede a formação de sua individualidade, o que é
ótimo! Porém, ao se dar conta dessas coisas, surge também o medo de que a mamãe
não volte mais quando vai embora, e por isso ele chora. Isso é a chamada ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO, ou
seja, um temor de que a mamãe desapareça quando sai da presença do bebê.
Se nos colocarmos no lugar deles, dá para entender perfeitamente o choro
incontrolável (que muitas vezes chamamos de birra - L) ao se separar da mamãe. O
bebê fica extremamente ansioso com a possibilidade de não ter a mamãe de volta,
num momento em que o vínculo com ela já é enorme. Quem não choraria se sentisse
que a pessoa que mais ama e cuida de você poderia pura e simplesmente
desaparecer da face da terra, de um segundo para o outro?
O que fazer então? A primeira coisa é saber que isso vai passar (pode
demorar um pouquinho, mas vai passar!). Quando o bebê conquista a consciência
de PERMANÊNCIA DO OBJETO, que é conseguir compreender que algo continua a
existir ainda que não esteja á sua vista, ele se sente seguro de que a mamãe
virá, mesmo quando se afasta por muito tempo.
A segunda coisa é fazer brincadeiras que contribuam para tomar consciência da permanência do objeto. O mais interessante é que normalmente já fazemos essas brincadeiras naturalmente, sem nos darmos conta que estamos ajudando nossos bebês a ficarem menos ansiosos. São as brincadeiras de “Achou”, ou seja, quando você esconde o rostinho do bebê com um pano, e depois tira o pano e diz: “Achou!”. Quando brincamos com ele dessa forma, podemos ver a alegria de rever a mamãe (ou o papai), e aos poucos ir assimilando que continuam existindo por trás do pano. O mesmo pode ser feito com brinquedos. Conforme se desenvolve, é o bebê que começa a brincadeira, já entendendo que quando tirar o paninho, achará a mamãe/papai/qualquer ente querido ali, no mesmo lugar.
E por fim, o que também podemos fazer é contribuir para que se sintam
seguros. Isso não quer dizer que você deve ficar 24 horas ao lado do bebê para
que nunca sinta que você o deixará. Isso é maluquice e pode contribuir para
adoecer seu bebê e inibir seu desenvolvimento. O que quero propor é bem
diferente disso, é que você não só permita, mas privilegie momentos que ele
brinque “solto” no chão, especialmente deixando que se afaste de você sozinho,
e que brinque com outras pessoas. Afinal de contas, criamos nossos filhos para
voar o mais longe que puderem, e não para ficarem juntinho da mamãe para o
resto da vida, não é mesmo?
“Como flechas na mão de um homem poderoso, assim são os filhos da
mocidade” Salmos 127:4

Nenhum comentário:
Postar um comentário