terça-feira, 8 de outubro de 2013

As Cinco Linguagens do Amor

   O Leandro completa um aninho no próximo mês (já!), e quanto mais ele cresce mais percebo o quanto a tarefa da maternidade é complexa. Assim como nos games, a cada nível você possui novos desafios, mas também mais instrumentos para vencer. Os novos desafios não são necessariamente mais difíceis do que os anteriores. Algumas vezes são só diferentes, mas sempre exigem um pouco mais dos pais. E volta e meia me pego pensando se nos “níveis anteriores” cumpri com tudo o que o Leandro precisava, se ganhei com pontuação máxima, ou se passei sem muitos bônus. Om nossos filhos, diferente dos games, que nos mostram no final de cada fase como nos saímos, não teremos como saber. Talvez quando o jogo já estiver em níveis mais avançados possamos vislumbrar o que foi construído com alegria (essa é nossa esperança, não é mesmo? Rs), mas isso pode demorar e se o que plantamos não foi suficiente, não há como resetar o jogo e começar tudo de novo. Então, na minha opinião é melhor tentar jogar o jogo da criação dos nossos filhos tentando atingir o máximo de pontos possível!
   Pensando nisso, tenho me lembrado com frequência de uma excelente literatura chamada “As cinco linguagens do amor”, de Gary Chapman, que fala sobre como demonstrar amor à outras pessoas de forma que elas se sintam amadas. O que o autor sugere que só conseguimos fazer com que outras pessoas se sintam amadas por nós quando falamos na linguagem de amor delas, assim como só nos sentimos amados quando falam na nossa linguagem. Ao tentarmos demonstrar amor à alguém falando numa linguagem diferente é exatamente como um americano tentando se comunicar com um japonês, ou um brasileiro com um russo. Embora estejam se comunicando, a mensagem não atingirá o ouvinte. Segundo Chapman, todos temos um Banco do amor que precisa estar sempre cheio. O banco de amor é uma espécie de tanque que armazenamos as porções de amor que recebemos de pessoas importantes para nós, como nossos pais ou cônjuges. Conforme a vida e as situações necessitam, fazemos retiradas dessas reservas, fazendo com que precisem frequentemente de reabastecimento.  
   Para encher o tanque, existem 5 tipos linguagens de amor: Palavra de Afirmação, Toque Físico, Presentes, Tempo de Qualidade e Atos de Serviço. Resumidamente (resumida mesmo, mas te incentivo a ler o livro), Palavra de afirmação são frases que usamos para afirmar outra pessoas, falando sobre o quanto são importantes para nós ou ressaltando suas qualidades; Toque Físico diz respeito a todo toque saudável, carinhos, beijos, abraços, massagens, etc; Presentes podem ser tanto presentes caros quanto presentinhos que damos sem motivo, por exemplo um bombom no fim do dia, um cartão inesperado ou um algo que faz lembrar a pessoa. O Tempo de qualidade acontece em momentos que passamos junto a pessoa que desejamos demonstrar afeição fazendo algo que seja prazeroso para ela. O tempo que passamos, por exemplo, em frente a TV não conta, já que, embora estejamos juntos, não estamos em relacionamento. Por fim, Atos de serviço é tudo aquilo que fazemos para alguém, por exemplo, um bolo, uma comidinha, uma tarefa que a pessoa não gosta de fazer e fazemos por ela, lavar o carro, enfim, diz respeito à serviços que prestamos por amor.
   Ao longo da vida nos tornamos mais sensíveis a uma ou duas dessas linguagens, então quando alguém fala na nossa língua, conseguimos entender com exatidão e nos sentimos amados. Com nossos pequenos funciona da mesma maneira. É claro que é bem difícil saber qual é a linguagem que melhor cumpre o papel de fazê-los se sentirem amados, já que são tão ticos e nem eles mesmo o sabem, então penso que devemos nos esforçar para falar intensamente em todas as linguagens até que percebamos qual é a que mais os toca. O que achei fantástico é que, sem querer, quando nascem, já fazemos isso! Na linguagem de Persentes, falamos ao preparar todo o enxoval com carinho procurando providenciar tudo o que eles precisam para chegarem ao mundo da forma mais confortável que podemos oferecer. Além disso, são inúmeros os presentes que ganham tanto nos chás quanto nas visitas que recebemos logo que nascem. Toque Físico é o que mais fazemos! Acolhemos, acalentamos, ninamos, damos banho, fazemos massagem e enchemos de carinho! E achamos uma delícia fazer isso! Da mesma forma, Atos de serviço fazemos naturalmente – amamentamos, trocamos fralda,  banhamos, preparamos mamadeira, limpamos o quartinho, e tantas outras coisas, sem que seja um peso. Fazemos com alegria! Palavras de afirmação saem da nossa boca para os nossos pequenos, mesmo sem percebermos. Não cansamos de dizer o quanto os amamos, o quanto são bem vindo, o quanto desejamos que Deus os abençoe, o quando o achamos cheirosos, gostosos, lindos, fofinhos, espertos, amados, e tantos outros adjetivos que surgem ao longo do amadurecimento deles. Por fim, Tempo de Qualidade, que acaba sendo tudo isso junto! O quanto é gostoso passar tempo com eles, dando toque, afirmação, fazendo coisas que precisam e gostam, enfim, os amando. Passamos tempo estimulando-os, brincando de tudo o que percebemos que já acompanham, investimos em brinquedos e jogos e quando gostam fazemos a mesma brincadeira 9 milhões de vezes!

  Com o tempo, na medida que eles se tornam mais independentes de nós, falar na linguagem de amor deles vai deixando de ser natural, de acontecer espontaneamente já que muitas coisas conseguem (e precisam!) fazer sozinhos. Nos tornamos menos “necessárias”, e pode acontecer de simplesmente deixarmos de demonstrar intensamente amor em todas as linguagens. Percebo que nesse momento precisamos tornar isso intencional, ou seja, não mais fazer porque não são capazes de sobreviver sem nossa ajuda, mas apenas porque os amamos e queremos que sintam isso. É fato que as inúmeras tarefas consomem nosso tempo e disposição, mas acredito que volta e meia precisamos nos lembrar o que é prioridade e investir nisso. É mais importante manter a casa completamente em ordem ou ter um tempinho a mais para brincar com nossos piticos? É mais importante fazer horas extras na empresa (para quem trabalha) ou garantir que nossos filhos terão um bom tempo conosco e se sentirão amados? Eu não sei qual é a sua realidade, não sei o que rouba seu tempo e disposição, mas sei o que é na minha e sei no que preciso vigiar. Então fica a dica, será que tem algo que rouba seu tempo e você não está percebendo? Watch out!