segunda-feira, 17 de junho de 2013

Brinquedinho para dormir - só para isso?


   Durante o primeiro ano de vida é bem comum que o bebê eleja um brinquedo ou um “paninho” (naninha) como favorito, e esse passará a ter uma função muito especial na vidinha dele. É o chamado objeto de transição.
   O objeto de transição é para o bebê como uma “parte” da mamãe, e com isso, nos momentos que está sem ela, o objeto traz conforto e segurança. Ele é um substituto da figura materna na mente do bebê, e por isso sente-se muito mais seguro na presença do objeto, motivo pelo qual se apega tanto a ele.
   Com o passar dos anos esse brinquedo poderá ser ainda mais importante. Ele fará parte do universo imaginário da criança e com ele o bebê poderá conversar, desabafar e influenciará na sua capacidade de imaginação. Tudo isso é perfeitamente saudável e bom, e terá uma importância enorme da formação da individualidade do seu filho, já que com ele terá os primeiros estágios de ilusão que vai abrir caminho para o desenvolvimento da criatividade e da capacidade de brincar, grandes contribuintes na formação da identidade.
      Esses objetos normalmente começam a ser eleitos a partir dos 4 meses de idade e é mais comum que estejam associados á momentos de sono, que é justamente o momento que a criança mais se sente amedrontada por temer que quando dormir a mamãe não estará mais lá. Quando colaboramos para que durma sempre com o mesmo objeto, o bebê sente que a mamãe ainda está, de certa forma, com ele e por isso baixa sua ansiedade, dormindo melhor. E o ideal é isso mesmo, que esse objeto seja utilizado nos momentos que vai dormir e que sabe que ficará sozinho, para que tenha sua função cumprida.
   Existe também a possibilidade de algumas crianças se apegarem a chupetas ou à nenhum objeto específico, mas a algum tipo de hábito que a ajude a se acalmar, como mexer no cabelo ou brincar com os dedinhos da mão. Tudo normal também. Essas coisas também trarão acalento. E se ele não pegar nada e não quiser nada, tudo bem também. Existem crianças que só a figura materna já é suficiente para que se sintam seguras.
   É muito comum que o apego seja tão grande que os bichinhos ou naninhas fiquem imundos, e não consigamos lavar, já que viram um grude com o nenê. Nesses casos podemos tentar achar um similar do objeto para fazer a troca enquanto lavamos, mas não fique demasiadamente esperançosa porque pode ser que seu bebê muito espertinho perceba rapidamente que não é o mesmo e rejeite a troca. Ainda que o pitico sofra um pouquinho é importante manter esse objeto limpo uma vez que em geral gostam de dormir com ele e podem colocar na boca a todo tempo.  Muitas vezes, depois de lavado, o interesse pelo bichinho diminui por conta da mudança de cheiro, mas é uma questão de tempo, logo se apegará novamente.
   Se seu filho ainda não elegeu o dele, você pode propiciar o “encontro” entre eles. Você pode começar colocando sempre o mesmo objeto no berço, junto dele, para que faça associação. Lembre-se de tomar muito cuidado com a escolha, já que panos e cobertores podem ser perigosos por risco de sufocamento. Avalie bem antes de incentivar a associação.
   E fique calma, esse objeto não será seu amigo para sempre, como o Ted Bear do filme. Por volta dos 2 anos de idade já podemos começar o processo de retirada. Nesse momento a criança já tem outros interesses como jogos, esportes ou desenho, e sentirá menos falta do brinquedo/naninha. É importante retirar porque a partir dessa fase o objeto pode acabar atrapalhando seu processo de individualização. O bebê precisa se sentir seguro sozinho, sem precisar de algo para acalenta-lo.
   Aqui em casa o eleito foi um cavalinho marinho que toca musiquinhas de ninar com som de oceano no fundo. Ele ajudou a tirar do Leandro o hábito de dormir só no colo. A associação aconteceu de forma processual. Primeiro demos o bichinho a ele para que brincasse, deixando a musiquinha tocar. Nos próximas vezes que foi dormir (durante o dia e a noite), o fazia dormir como de costume (no colo) e colocava o bichinho junto dele, tocando a música para que associasse ao sono. Fiz isso por alguns dias. Depois coloquei o Lele na cama, deitei com ele, e coloquei o bichinho entre nós, até que ele dormisse. Fiz por mais alguns dias. Por fim, comecei a treina-lo dormir direto no berço, com o bichinho. Eu só o colocava no berço quando percebia que estava bem cansado. Foi bem mais demorado, e precisou de insistência, mas conseguimos. É claro que de vez em quando o esquema falha, e voltamos aos estágios anteriores, mas o importante é nunca desistir! Rs. Percebemos também que quando o cavalinho marinho está no berço com ele durante a noite, ele até acorda, mas volta a dormir, e dorme muito melhor. Esse cavalinho tem sido um grande colaborador das boas noites de sono do Lele (e da mamãe também! Graças ao bom Deus! Rs).


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