Durante o primeiro ano de vida é bem comum que o bebê eleja um brinquedo
ou um “paninho” (naninha) como favorito, e esse passará a ter uma função muito
especial na vidinha dele. É o chamado objeto de transição.
O objeto de transição é para o bebê como uma “parte” da mamãe, e com isso,
nos momentos que está sem ela, o objeto traz conforto e segurança. Ele é um
substituto da figura materna na mente do bebê, e por isso sente-se muito mais
seguro na presença do objeto, motivo pelo qual se apega tanto a ele.
Com o passar dos anos esse brinquedo poderá ser ainda mais importante. Ele
fará parte do universo imaginário da criança e com ele o bebê poderá conversar,
desabafar e influenciará na sua capacidade de imaginação. Tudo isso é
perfeitamente saudável e bom, e terá uma importância enorme da formação da
individualidade do seu filho, já que com ele terá os primeiros estágios de
ilusão que vai abrir caminho para o desenvolvimento da criatividade e da
capacidade de brincar, grandes contribuintes na formação da identidade.
Esses objetos normalmente
começam a ser eleitos a partir dos 4 meses de idade e é mais comum que estejam
associados á momentos de sono, que é justamente o momento que a criança mais se
sente amedrontada por temer que quando dormir a mamãe não estará mais lá. Quando
colaboramos para que durma sempre com o mesmo objeto, o bebê sente que a mamãe
ainda está, de certa forma, com ele e por isso baixa sua ansiedade, dormindo
melhor. E o ideal é isso mesmo, que esse objeto seja utilizado nos momentos que
vai dormir e que sabe que ficará sozinho, para que tenha sua função cumprida.
Existe também a possibilidade de algumas crianças se apegarem a chupetas
ou à nenhum objeto específico, mas a algum tipo de hábito que a ajude a se
acalmar, como mexer no cabelo ou brincar com os dedinhos da mão. Tudo normal
também. Essas coisas também trarão acalento. E se ele não pegar nada e não
quiser nada, tudo bem também. Existem crianças que só a figura materna já é
suficiente para que se sintam seguras.
É muito comum que o apego seja
tão grande que os bichinhos ou naninhas fiquem imundos, e não consigamos lavar,
já que viram um grude com o nenê. Nesses casos podemos tentar achar um similar
do objeto para fazer a troca enquanto lavamos, mas não fique demasiadamente
esperançosa porque pode ser que seu bebê muito espertinho perceba rapidamente
que não é o mesmo e rejeite a troca. Ainda que o pitico sofra um pouquinho é
importante manter esse objeto limpo uma vez que em geral gostam de dormir com
ele e podem colocar na boca a todo tempo. Muitas vezes, depois de lavado, o interesse
pelo bichinho diminui por conta da mudança de cheiro, mas é uma questão de
tempo, logo se apegará novamente.
Se seu filho ainda não elegeu o dele, você pode propiciar o “encontro”
entre eles. Você pode começar colocando sempre o mesmo objeto no berço, junto
dele, para que faça associação. Lembre-se de tomar muito cuidado com a escolha,
já que panos e cobertores podem ser perigosos por risco de sufocamento. Avalie
bem antes de incentivar a associação.
E fique calma, esse objeto não será seu amigo para sempre, como o Ted
Bear do filme. Por volta dos 2 anos de idade já podemos começar o processo de
retirada. Nesse momento a criança já tem outros interesses como jogos, esportes
ou desenho, e sentirá menos falta do brinquedo/naninha. É importante retirar porque
a partir dessa fase o objeto pode acabar atrapalhando seu processo de
individualização. O bebê precisa se sentir seguro sozinho, sem precisar de algo
para acalenta-lo.
Aqui em casa o eleito foi um cavalinho marinho que toca musiquinhas de
ninar com som de oceano no fundo. Ele ajudou a tirar do Leandro o hábito de
dormir só no colo. A associação aconteceu de forma processual. Primeiro demos o
bichinho a ele para que brincasse, deixando a musiquinha tocar. Nos próximas
vezes que foi dormir (durante o dia e a noite), o fazia dormir como de costume
(no colo) e colocava o bichinho junto dele, tocando a música para que
associasse ao sono. Fiz isso por alguns dias. Depois coloquei o Lele na cama,
deitei com ele, e coloquei o bichinho entre nós, até que ele dormisse. Fiz por
mais alguns dias. Por fim, comecei a treina-lo
dormir direto no berço, com o bichinho. Eu só o colocava no berço quando percebia que estava bem cansado. Foi bem mais demorado, e precisou de insistência,
mas conseguimos. É claro que de vez em quando o esquema falha, e voltamos aos
estágios anteriores, mas o importante é nunca desistir! Rs. Percebemos também
que quando o cavalinho marinho está no berço com ele durante a noite, ele até
acorda, mas volta a dormir, e dorme muito melhor. Esse cavalinho tem sido um
grande colaborador das boas noites de sono do Lele (e da mamãe também! Graças
ao bom Deus! Rs).

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