Recentemente,
lendo uma revista sobre bebês, vi esse termo, e fiquei muito curiosa para
entender melhor do que se tratava. Na revista (Super Interessante), o termo foi
colocado de forma bem pejorativa, inclusive dizendo que algumas celebridades
tem adotado o método para criar seus filhos. Ainda assim, quis entender melhor
sobre isso. E confesso que estou gostando muito dos princípios propostos.
Vamos
do começo. A Criação com apego foi proposta por William Sears, e tem como base a
Teoria do Apego criada por John Bowlby, que diz que a criança tem uma tendência
natural de estabelecer vínculo com alguém próximo (os pais, por exemplo) e se
sente segura na presença dessa pessoa. Por outro lado, quando há privação
materna a criança pode desenvolver depressão, além de conflitos agudos e
hostilidade, diminuindo a sua capacidade de formar relacionamentos saudáveis na
vida adulta.
Portanto,
pensando desta forma, o Attachment Parenting propõe que se privilegie o “apego
seguro” com o bebê, a fim de que ele possa sentir-se confiante, e assim formar
relacionamentos seguros e saudáveis no futuro.
Na
prática, isso significa que eles acreditam que o cuidador deve estar atento à
criança para ser capaz de identificar e atender as necessidades emocionais e
biológicas dela, formando o apego seguro. Uma vez que essas necessidades vão
mudar ao longo do tempo, isso impõe que o cuidador tenha flexibilidade para
oferecer respostas adequadas.
Eles
tem 8 princípios que norteiam a teoria:
·
Preparação para a gravidez, o nascimento e a
mater-paternagem.
·
Alimentação com amor e respeito.
·
Responder sempre com sensibilidade.
·
Praticar a criação baseada no apego.
·
Incluir essa criação também durante as noites.
·
Fornecer carinho constante.
·
Praticar a disciplina positiva.
·
Esforçar-se para o equilíbrio na vida pessoal e
familiar.
A Idéia é que,
a partir desses princípios, os pais decidam o que fazer em cada caso. É a
partir disso que algumas das famílias adeptas optam por práticas como o parto
natural, nascimento domiciliar, criação em casa, homeschooling, movimento
anti-circuncisão, liberdade de vacinação, saúde natural, cama compartilhada, movimentos
cooperativos e consumo de alimentos orgânicos, etc.
No entanto,
pelo que li e entendi, essas práticas não são regras a serem seguidas. Na
verdade, cada família faz aquilo que entender ser melhor para seu filho, de
acordo com os princípios.
Da minha
parte, o que achei interessante e vai de encontro com aquilo que também
acredito é:
·
A Criação com Apego procura entender as
necessidades biológicas e psicológicas das crianças e evitar expectativas não
realistas sobre o comportamento da criança. Ao estabelecer limites que sejam
apropriados para a idade da criança, a Criação com Apego leva em conta todas as
etapas físicas e psicológicas do desenvolvimento que a criança está
experimentando. Desta forma, os pais podem tentar evitar a frustração que
ocorre quando eles esperam coisas que as crianças não podem fazer ainda.
·
Busca-se olhar para a criança como um ser
singular, e assim abre-se mão da ideia da criança se comportar exatamente como
seus pais querem que ela se comporte. Nessa visão, querer que um filho
corresponda às suas expectativas de comportamento é preparar um ser humano para
a frustração, para a baixíssima auto-estima, para se ver sempre como inadequado
e incompleto aos olhos dos pais. Eles acreditam que querer que as crianças
sigam um mesmo modelo de comportamento é negar a sua individualidade e
liberdade, ou seja, negar a si mesmo em essência, e fará com que se sinta
obrigada a responder a algo que não é capaz ainda de acompanhar.
·
Escolher a criação com apego como forma de
cuidado com os filhos não é ser permissivo. Os limites estão estabelecidos de
outra maneira – não significa permitir que faça o que quer, afinal ensinar
limites também é uma forma de respeito. Ter limites, conhecer os limites do
outro e os seus próprios é estar inserido, respeitosamente, no mundo. A forma
de ensinar não passa pelo autoritarismo, medo, repressão injustificada ou pelo “Não
pode fazer isso porque eu disse que não pode!”, e sim na base do diálogo,
compressão e respeito – é dizer não, explicando os motivos.
·
Existe um estudo publicado pelo periódico PNAS
(Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of
America) que mostra que o bom cuidado materno na infância leva ao aumento de
duas estruturas cerebrais chamadas hipocampo e amígdala. A primeira está
relacionada à memória de curto e longo prazo, e a segunda ao comportamento emocional.
Trocando em miúdos, isso quer dizer que existe uma relação entre as
experiências afetivas que a criança vive na infância e a forma como seu cérebro
se desenvolve. Observando imagens do cérebro de crianças pré-escolares
deprimidas e de emocionalmente saudáveis, concluiu-se que o cuidado materno
recebido na primeira fase da infância teria uma ligação com o tamanho dessas
estruturas ocasionando diferentes padrões de respostas ao estresse. Nas crianças
emocionalmente saudáveis as estruturas eram maiores, enquanto que nas
deprimidas eram menores.
·
Beaseando-se nessa perspectiva, não cabe nessa
forma de educação o deixar que a criança chore sem ser atendida pelos pais, tal
como outras teorias acreditam que deve ocorrer. Na criação com apego, se
entende que isso constitui uma violência contra a criança, já que o choro é a
única forma de comunicação que possui para dizer aos pais que há algo errado ou
que deseja alguma coisa. Uma vez que se comunica, e não é atendida, ela passa a
entender que o ambiente ao redor não é confiável, e isso gera outros
comportamentos de resposta, tal como choro cada vez mais alto, birra e raiva. Pode
inclusive acreditar que não tem o direito de se sentir como está se sentindo, e
gerar sentimentos de inadequação. Em casos extremos, a criança pode aprender a
se distanciar emocionalmente das pessoas ou mesmo ficar com carência acima do
normal.
·
Criação com apego não diz não ao choro, e sim ao
choro não atendido. Não significa fazer tudo o que a criança pedir para que
pare de chorar. Significa procurar entender o motivo do choro, ser empático com
ela. No entanto, se quiser algo que não pode ser dado, permitir que ela chore a
frustração, mas chore sendo acolhida pelos pais no momento do choro, para que
não entenda essa postura como desamor, mas como limite.
Vamos pensar a respeito?

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