terça-feira, 21 de maio de 2013

Attachment Parenting ou “Criação com apego”, já ouviu falar?


   Você já ouviu falar em Attachment Parenting, ou, na tradução para o português “Criação com Apego”?
   Recentemente, lendo uma revista sobre bebês, vi esse termo, e fiquei muito curiosa para entender melhor do que se tratava. Na revista (Super Interessante), o termo foi colocado de forma bem pejorativa, inclusive dizendo que algumas celebridades tem adotado o método para criar seus filhos. Ainda assim, quis entender melhor sobre isso. E confesso que estou gostando muito dos princípios propostos.
   Vamos do começo. A Criação com apego foi proposta por William Sears, e tem como base a Teoria do Apego criada por John Bowlby, que diz que a criança tem uma tendência natural de estabelecer vínculo com alguém próximo (os pais, por exemplo) e se sente segura na presença dessa pessoa. Por outro lado, quando há privação materna a criança pode desenvolver depressão, além de conflitos agudos e hostilidade, diminuindo a sua capacidade de formar relacionamentos saudáveis na vida adulta.
   Portanto, pensando desta forma, o Attachment Parenting propõe que se privilegie o “apego seguro” com o bebê, a fim de que ele possa sentir-se confiante, e assim formar relacionamentos seguros e saudáveis no futuro.
   Na prática, isso significa que eles acreditam que o cuidador deve estar atento à criança para ser capaz de identificar e atender as necessidades emocionais e biológicas dela, formando o apego seguro. Uma vez que essas necessidades vão mudar ao longo do tempo, isso impõe que o cuidador tenha flexibilidade para oferecer respostas adequadas.

   Eles tem 8 princípios que norteiam a teoria:
·         Preparação para a gravidez, o nascimento e a mater-paternagem.
·         Alimentação com amor e respeito.
·         Responder sempre com sensibilidade.
·         Praticar a criação baseada no apego.
·         Incluir essa criação também durante as noites.
·         Fornecer carinho constante.
·         Praticar a disciplina positiva.
·         Esforçar-se para o equilíbrio na vida pessoal e familiar.

   A Idéia é que, a partir desses princípios, os pais decidam o que fazer em cada caso. É a partir disso que algumas das famílias adeptas optam por práticas como o parto natural, nascimento domiciliar, criação em casa, homeschooling, movimento anti-circuncisão, liberdade de vacinação, saúde natural, cama compartilhada, movimentos cooperativos e consumo de alimentos orgânicos, etc.   
   No entanto, pelo que li e entendi, essas práticas não são regras a serem seguidas. Na verdade, cada família faz aquilo que entender ser melhor para seu filho, de acordo com os princípios.

   Da minha parte, o que achei interessante e vai de encontro com aquilo que também acredito é:
·         A Criação com Apego procura entender as necessidades biológicas e psicológicas das crianças e evitar expectativas não realistas sobre o comportamento da criança. Ao estabelecer limites que sejam apropriados para a idade da criança, a Criação com Apego leva em conta todas as etapas físicas e psicológicas do desenvolvimento que a criança está experimentando. Desta forma, os pais podem tentar evitar a frustração que ocorre quando eles esperam coisas que as crianças não podem fazer ainda.

·         Busca-se olhar para a criança como um ser singular, e assim abre-se mão da ideia da criança se comportar exatamente como seus pais querem que ela se comporte. Nessa visão, querer que um filho corresponda às suas expectativas de comportamento é preparar um ser humano para a frustração, para a baixíssima auto-estima, para se ver sempre como inadequado e incompleto aos olhos dos pais. Eles acreditam que querer que as crianças sigam um mesmo modelo de comportamento é negar a sua individualidade e liberdade, ou seja, negar a si mesmo em essência, e fará com que se sinta obrigada a responder a algo que não é capaz ainda de acompanhar.

·         Escolher a criação com apego como forma de cuidado com os filhos não é ser permissivo. Os limites estão estabelecidos de outra maneira – não significa permitir que faça o que quer, afinal ensinar limites também é uma forma de respeito. Ter limites, conhecer os limites do outro e os seus próprios é estar inserido, respeitosamente, no mundo. A forma de ensinar não passa pelo autoritarismo, medo, repressão injustificada ou pelo “Não pode fazer isso porque eu disse que não pode!”, e sim na base do diálogo, compressão e respeito – é dizer não, explicando os motivos.

·         Existe um estudo publicado pelo periódico PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America) que mostra que o bom cuidado materno na infância leva ao aumento de duas estruturas cerebrais chamadas hipocampo e amígdala. A primeira está relacionada à memória de curto e longo prazo, e a segunda ao comportamento emocional. Trocando em miúdos, isso quer dizer que existe uma relação entre as experiências afetivas que a criança vive na infância e a forma como seu cérebro se desenvolve. Observando imagens do cérebro de crianças pré-escolares deprimidas e de emocionalmente saudáveis, concluiu-se que o cuidado materno recebido na primeira fase da infância teria uma ligação com o tamanho dessas estruturas ocasionando diferentes padrões de respostas ao estresse. Nas crianças emocionalmente saudáveis as estruturas eram maiores, enquanto que nas deprimidas eram menores.

·         Beaseando-se nessa perspectiva, não cabe nessa forma de educação o deixar que a criança chore sem ser atendida pelos pais, tal como outras teorias acreditam que deve ocorrer. Na criação com apego, se entende que isso constitui uma violência contra a criança, já que o choro é a única forma de comunicação que possui para dizer aos pais que há algo errado ou que deseja alguma coisa. Uma vez que se comunica, e não é atendida, ela passa a entender que o ambiente ao redor não é confiável, e isso gera outros comportamentos de resposta, tal como choro cada vez mais alto, birra e raiva. Pode inclusive acreditar que não tem o direito de se sentir como está se sentindo, e gerar sentimentos de inadequação. Em casos extremos, a criança pode aprender a se distanciar emocionalmente das pessoas ou mesmo ficar com carência acima do normal.

·         Criação com apego não diz não ao choro, e sim ao choro não atendido. Não significa fazer tudo o que a criança pedir para que pare de chorar. Significa procurar entender o motivo do choro, ser empático com ela. No entanto, se quiser algo que não pode ser dado, permitir que ela chore a frustração, mas chore sendo acolhida pelos pais no momento do choro, para que não entenda essa postura como desamor, mas como limite.

Vamos pensar a respeito?

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