terça-feira, 14 de maio de 2013

Algumas verdades sobre educação de filhos.


   
Sábado fui à feira com meu marido, e estava com o Leandro no colo, quando tropecei numa madeira no chão e dei uma bambeada, mas não cheguei nem perto de cair. Então ouvi uma frase que me trouxe más recordações – o feirante, vendo a cena, gritou “Cuidado moça, você está com o bebê”. A minha vontade foi gritar de volta perguntando “Ah, estou? Não tinha percebido, obrigado por me avisar, se não fosse você, eu nem perceberia que estou com meu filho de 8 kg no colo”, mas a boa educação e o pensamento ainda lento não me permitiram a resposta à altura. 
   Isso me fez lembrar de muitos momentos que passei a-maior-raiva-do-mundo quando ouvia frases desse tipo, e me faziam parecer uma mãe relapsa! Ei, eu sou uma boa mãe, ok! Rs.
   Essa história deu margem ao tema de hoje, quero falar um pouco sobre o quanto é difícil ser mãe, especialmente de primeira viagem, e ouvir tantos comentários desnecessários a respeito da forma como crio, educo e zelo pelo meu bebê.
   O que eu acho mais engraçado é que as pessoas fazem comentários sem pensar que o que elas estão dizendo é óbvio, e faz com que a mãe da criança pareça uma total imbecil. Eu considero isso um golpe ainda mais baixo quando se trata de uma novata, que está mais perdida que cego em tiroteio, se questionando todos os dias se o que está fazendo realmente está certo e é o melhor para o seu filhinho, e o comentário vem de alguém mais velho, em forma de ensino. Uma dessas benditas frases que mais me marcou foi uma tia que me disse que eu precisava cortar as unhas do meu bebê para que ele não se arranhasse. Jura? Achei que elas caiam sozinhas, sem necessidade de cortador de unhas e lixas! Rs (Meu marido pensou em responder que não, que ia deixar as unhas do menino como as Zé do Caixão!)
   E quando as frases vêm nos momentos de desespero, que o bebê está chorando compulsivamente, e você já ticou toda a listinha de possíveis motivos e não encontrou nada, então ouve: “ele está chorando. O que ele tem?”, como se você ainda não tivesse percebido que o seu filho está chorando a mais de 10 minutos sem parar ou que quisesse que ele chorasse, afinal se você soubesse o motivo, já teria atendido nos primeiros 30 segundos, e não estaria descabelando até agora sem saber o que fazer!
   Mas eu me sinto até mal de falar isso porque já sentei nessa cadeira. Tenho que confessar que muito antes de engravidar, especialmente no tempo que estava cursando psicologia, me parecia que educar filhos ocorria mais ou menos como uma conta matemática – se você utilizar os elementos corretos, no final o resultado é sempre o mesmo. Assim como 2+2=4, se você proteger demasiadamente o seu filho + der tudo o que ele quiser = filho irresponsável; ou se for rígido na medida certa + der boas oportunidades = filho educado. Simples assim! Ah, como eu era ingênua!
   A verdade é que criar filho é uma tarefa árdua (deliciosa, mas árdua) e não é nada óbvia ou simples. Muito pelo contrário, é bem complexo. É tão complexo quanto cada ser humano é complexo. Nós não somos seres lineares, passíveis de controle absoluto. Os nossos padrões não são como os de uma máquina que se repetem infinitamente sem variação. O que é ótimo em um dia, no outro não tem mais graça nenhuma. Um sabor que adoramos, pode facilmente passar a ser enjoativo sem aviso prévio ou motivo. Somos seres dinâmicos, que se transformam a todo tempo, recebendo também a todo tempo influências que provocam outras mudanças, que mudam nossa forma de ver o mundo e a vida, e consequentemente nossas atitudes e comportamentos.  Ou seja, todos os dias temos novidades em nós mesmos, e é assim com nossos bebês.  Todos os dias eles captam mais informações novas que transformam sua visão e consequente forma de atuar no seu pequeno mundinho, e por isso não podemos esperar que todos os dias tenham as mesmas reações e tenham um padrão imutável de comportamento. Isso não existe, e é por isso que não recebemos um manual ao sair da maternidade. Podemos até receber algumas instruções bem básicas e objetivas de cuidados diários, mas é só. O resto é com você. É você que terá que descobrir a cada dia o que é melhor para o seu bebê. E é bom que seja assim mesmo, porque você precisa ser capaz de olhar seu filho nos olhos e buscar desvendá-lo, para não achar que ele é uma extensão de você mesma, tendo os mesmo sentimentos que você tem e pensando exatamente como você pensa.
   Seu filho é único, e se quer ter alguma ideia do que é melhor para ele, a primeira coisa que você precisa fazer é buscar conhecê-lo, para então decidir. Só quando percebemos o que de fato ele nos quer dizer, é que somos capazes de tomar decisões mais acertadas sobre como reagir a ele. E isso dá um trabalhão... e nem sempre acertamos... mas eu acredito que esse caminho é o mais eficaz. E assim caminhamos pedindo a Deus, que conhece todas as coisas, que nos dê a visão correta sobre os nossos filhos, que nos ajude a estar muito sensíveis a eles e contribuir para que cresçam da melhor forma que podemos oferecer. Você já pediu a Deus pelo seu filho hoje?

Um comentário:

  1. Muito bom Gi! ri a bessa!!! e é verdade... tenho percebido isso já! as vezes nos esquecemos que as pessoas são diferentes, e que o que deu certo para uma pessoa, talvez não dê certo para mim.... que uma gestação é diferente da gestação da minha, mesmo sendo muito próximas é tudo novo! tudo diferente! algumas dicas são preciosas sim, mas outras... hahaha deixa prá lá!!! pra mim vale a pena o compartilhar de experiências, não com o ar de "é assim que se faz" mas "comigo aconteceu assim e ..." dessa forma, se torna companheirismo e não invasão de privacidade!
    tô gostando do blog! ansiosa pra saber qual será a próxima postagem!
    bjs

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