Sábado fui à feira com meu
marido, e estava com o Leandro no colo, quando tropecei numa madeira no chão e
dei uma bambeada, mas não cheguei nem perto de cair. Então ouvi uma frase que
me trouxe más recordações – o feirante, vendo a cena, gritou “Cuidado moça,
você está com o bebê”. A minha vontade foi gritar de volta perguntando “Ah,
estou? Não tinha percebido, obrigado por me avisar, se não fosse você, eu nem
perceberia que estou com meu filho de 8 kg no colo”, mas a boa educação e o
pensamento ainda lento não me permitiram a resposta à altura.
Isso me fez lembrar de muitos
momentos que passei a-maior-raiva-do-mundo quando ouvia frases desse tipo, e me
faziam parecer uma mãe relapsa! Ei, eu sou uma boa mãe, ok! Rs.
Essa história deu margem ao tema de hoje,
quero falar um pouco sobre o quanto é difícil ser mãe, especialmente de
primeira viagem, e ouvir tantos comentários desnecessários a respeito da forma
como crio, educo e zelo pelo meu bebê.
O que eu acho mais engraçado é
que as pessoas fazem comentários sem pensar que o que elas estão dizendo é óbvio,
e faz com que a mãe da criança pareça uma total imbecil. Eu considero isso um
golpe ainda mais baixo quando se trata de uma novata, que está mais perdida que
cego em tiroteio, se questionando todos os dias se o que está fazendo realmente
está certo e é o melhor para o seu filhinho, e o comentário vem de alguém mais
velho, em forma de ensino. Uma dessas benditas frases que mais me marcou foi
uma tia que me disse que eu precisava cortar as unhas do meu bebê para que ele
não se arranhasse. Jura? Achei que elas caiam sozinhas, sem necessidade de
cortador de unhas e lixas! Rs (Meu marido pensou em responder que não, que ia deixar as unhas do menino como as Zé do Caixão!)
E quando as frases vêm nos
momentos de desespero, que o bebê está chorando compulsivamente, e você já
ticou toda a listinha de possíveis motivos e não encontrou nada, então ouve: “ele
está chorando. O que ele tem?”, como se você ainda não tivesse percebido que o
seu filho está chorando a mais de 10 minutos sem parar ou que quisesse que ele
chorasse, afinal se você soubesse o motivo, já teria atendido nos primeiros 30
segundos, e não estaria descabelando até agora sem saber o que fazer!
Mas eu me sinto até mal de falar
isso porque já sentei nessa cadeira. Tenho que confessar que muito antes de
engravidar, especialmente no tempo que estava cursando psicologia, me parecia
que educar filhos ocorria mais ou menos como uma conta matemática – se você
utilizar os elementos corretos, no final o resultado é sempre o mesmo. Assim
como 2+2=4, se você proteger demasiadamente o seu filho + der tudo o que ele
quiser = filho irresponsável; ou se for rígido na medida certa + der boas
oportunidades = filho educado. Simples assim! Ah, como eu era ingênua!
A verdade é que criar filho é uma
tarefa árdua (deliciosa, mas árdua) e não é nada óbvia ou simples. Muito pelo
contrário, é bem complexo. É tão complexo quanto cada ser humano é complexo.
Nós não somos seres lineares, passíveis de controle absoluto. Os nossos padrões
não são como os de uma máquina que se repetem infinitamente sem variação. O que
é ótimo em um dia, no outro não tem mais graça nenhuma. Um sabor que adoramos,
pode facilmente passar a ser enjoativo sem aviso prévio ou motivo. Somos seres
dinâmicos, que se transformam a todo tempo, recebendo também a todo tempo
influências que provocam outras mudanças, que mudam nossa forma de ver o mundo
e a vida, e consequentemente nossas atitudes e comportamentos. Ou seja, todos os dias temos novidades em nós
mesmos, e é assim com nossos bebês. Todos os dias eles captam mais informações
novas que transformam sua visão e consequente forma de atuar no seu pequeno
mundinho, e por isso não podemos esperar que todos os dias tenham as mesmas
reações e tenham um padrão imutável de comportamento. Isso não existe, e é por
isso que não recebemos um manual ao sair da maternidade. Podemos até receber
algumas instruções bem básicas e objetivas de cuidados diários, mas é só. O
resto é com você. É você que terá que descobrir a cada dia o que é melhor para
o seu bebê. E é bom que seja assim mesmo, porque você precisa ser capaz de
olhar seu filho nos olhos e buscar desvendá-lo, para não achar que ele é uma
extensão de você mesma, tendo os mesmo sentimentos que você tem e pensando
exatamente como você pensa.
Seu filho é único, e se quer ter
alguma ideia do que é melhor para ele, a primeira coisa que você precisa fazer
é buscar conhecê-lo, para então decidir. Só quando percebemos o que de fato ele
nos quer dizer, é que somos capazes de tomar decisões mais acertadas sobre como
reagir a ele. E isso dá um trabalhão... e nem sempre acertamos... mas eu
acredito que esse caminho é o mais eficaz. E assim caminhamos pedindo a Deus,
que conhece todas as coisas, que nos dê a visão correta sobre os nossos filhos,
que nos ajude a estar muito sensíveis a eles e contribuir para que cresçam da
melhor forma que podemos oferecer. Você já pediu a Deus pelo seu filho hoje?
Muito bom Gi! ri a bessa!!! e é verdade... tenho percebido isso já! as vezes nos esquecemos que as pessoas são diferentes, e que o que deu certo para uma pessoa, talvez não dê certo para mim.... que uma gestação é diferente da gestação da minha, mesmo sendo muito próximas é tudo novo! tudo diferente! algumas dicas são preciosas sim, mas outras... hahaha deixa prá lá!!! pra mim vale a pena o compartilhar de experiências, não com o ar de "é assim que se faz" mas "comigo aconteceu assim e ..." dessa forma, se torna companheirismo e não invasão de privacidade!
ResponderExcluirtô gostando do blog! ansiosa pra saber qual será a próxima postagem!
bjs