sábado, 14 de setembro de 2013

Desfrutar – uma capacidade necessária à maternidade

   Quando decidi engravidar, e durante a gravidez, sabia que a experiência de ser mãe traria mudanças à minha vida, já que era uma super novidade. Ainda mais para mim, que nunca tinha trocado uma fralda! (pasmem, nunca mesmo, aprendi na maternidade, com a enfermeira, trocando a do meu filho! Posso dizer que nunca troquei uma fralda que não fosse do Lelê, rs por enquanto!), mas não tinha ideia do quanto mudaria!
   Há umas semanas atrás estava fazendo o Leandro dormir, e me dei conta de uma das grandes mudanças que ocorreram em mim. Eu nunca fui uma mulher muito delicadinha, princesinha do papai. Na minha casa, meu irmão e eu fomos criados da mesma maneira. Que me lembre, durante toda a infância eu nunca fui favorecida ou preterida pelo fato de ser menina. Talvez meu irmão se lembre disso diferente de mim, mas a forma como eu senti foi essa. Não existia “tarefa de menino” ou “tarefa de menina”, ele ajudava a arrumar a cozinha, quando precisava e eu ajudava nas pequenas manutenções da casa quando meu pai solicitava. Honestamente, acho muito bom porque aprendi coisas como trocar pneu, usar a furadeira e lavar carro, que me ajudaram mais tarde. Sou muito grata aos pais por isso. Eles me ensinaram a me viram quando precisasse. Está certo que depois que casei foi abandonando todas essas tarefas, mas eu (acho que) ainda me lembro como realiza-las numa situação de emergência. Enfim, concluindo, essa coisa bem feminina, bem moça, delicada, que gostava de brincar de bonecas, etc, nunca foi a minha. (Acho que é por isso que nunca tinha trocado fralda, quem seria a doida que me deixaria fazer isso! Rs). Sou muito mais pragmática e objetiva. Gosto de dados realistas e pouco românticos. No entanto, com a chegada do Leandro, e todos os sentimentos, desafios, vitórias e aprendizados que vieram com ele, sentimentos mais delicados, doces e leves despertaram e pude olhar para mim de forma diferente e gostar muito do que vi.
   Ainda que eu fosse uma mulher mais racional e menos emocional, a maternidade tocou as minhas emoções de forma delicada e me deu a oportunidade de abrir um novo olhar para o mundo e as coisas ao meu redor, e encara-las levando em consideração outros pontos e valores que até então não eram tão importantes. E isso me trouxe uma capacidade que sempre me faltou: de desfrutar o momento sem a preocupação com o futuro ou afazeres. O tempo com nossos filhos é tão curto, eles crescem tão rápido, aprendem e mudam da noite para o dia, que se não desfrutamos aquele segundo com eles, nunca mais faremos porque eles já serão diferentes amanhã, e nós também.  Essa capacidade de viver a cada dia é maravilhosa! É a capacidade de se entregar ao momento, deixando de lado o que pode ser deixado de lado (o que é muita coisa! Muita coisa pode ser deixada de lado!). Isso me ajuda a descansar e deixar as preocupações e o amanhã com quem eles pertencem – Deus.
   Com nossos filhos, precisamos nos oferecer inteiras, e essas preocupações e ansiedades nos tomam de tal forma que roubam parte das nossas energias e entusiasmo pela vida. Deixamos de nos entregar completas ao relacionamento com eles, e eles sentirão a falta da mamãe, ainda que ela esteja presente em corpo. Muito além dos braços, peito e colo da mamãe, sinto que os filhos precisam da alma e do coração dela. Eles se enxergaram primeiro através da mãe e do pai, para então conseguirem se ver sozinhos, independentes. Se não tiverem o auxílio dos pais (o alter ego, para os psicanalistas de plantão, rs), poderão ter prejuízo no “processo de fabricação”. O modelo pode sair diferente do planejado e talvez não haja conserto. Portanto, hoje é o momento de deixar tudo de lado e pegar seu filhote gostoso no colo de forma que ele sinta que o seu abraço é um abraço de corpo e alma, que você está completamente disponível à ele, e que ele não precisará dividir sua atenção com mais nada. Você é todinha dele, e assim ele recebe seu amor incondicional por ele!


   Que o Deus da graça nos ajuda a nos entregarmos todos os dias aos nossos filhos!


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