segunda-feira, 8 de julho de 2013

Por que não podemos usar sal (ou muito sal) na papinha do bebê?

   O Leandro começou a comer comida com sal no mesmo dia que completou 6 meses. Na consulta anterior a pediatra me orientou a usar bem pouco sal na preparação, mas foram tantas as informações que recebi naquele dia que esqueci de perguntar o motivo. Segui a risca e pronto.
   Recentemente conheci uma criança, quase da mesma idade que o meu filho, que comia arroz e feijão temperados normalmente, como se tempera para um adulto. Achei estranho, e fiquei pensando se não estava sendo neurótica demais. Resolvi então fazer uma pesquisa sobre assunto, e encontrei muitas informações interessantes e achei relevante também para você, mãe zelosa, preocupada e interessada como eu também (palmas para nós, rs – quanta modéstia!).
   Para começo de conversa, precisamos entender que sal é vilão para crianças e adultos.
   O principal motivo para isso é a presença do sódio no sal. O sódio em excesso se torna um terrível vilão, principal causador de uma das doenças mais conhecidas e perigosas da nossa época: a Hipertensão arterial (você sabia que as doenças do coração são as que mais matam no mundo todo? E sabia que a hipertensão é um dos principais contribuintes para isso? Vale a pena ficar esperto!).
   Mas o sódio não é só vilão, ele é o considerado o segundo elemento mais importante para nosso bem estar. Está relacionado ao equilíbrio da água no organismo, ao volume de plasma sanguíneo e auxilia na condução de impulsos nervosos e no controle da contração muscular. Todos esses benefícios são sentidos quando ele é ingerido na quantidade correta. O problema é que todos os alimentos, em maior ou menos grau, já contém sódio, então quando ingerimos muito mais dele em alimentos como o sal, não temos exatamente como mensurar quanto estamos colocando no nosso organismo, e aí é que mora o perigo.
   Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), um adulto deve usar no máximo de 2g (dois envelopezinhos de restaurante) de sal por dia. Para você ter uma ideia , aqui no Brasil usamos cerca de 4,5g ao dia, ou seja, mais que o dobro do recomendado. Esse salzinho a mais contribuiu para que em 10 anos (de 2000 a 2010) a quantidade de hipertensos no Brasil quase dobrasse, colocando as doenças isquêmicas do coração no topo do ranking nacional de doenças que mais matam.
   E o que seu bebezinho tem a ver com isso? TUDO! Em primeiro lugar, a quantidade recomendada para os piticos é menor do que para os adultos – é até 1g ao dia, ou seja, quando você oferece ao seu filhinho a sua comida com 4,5g de sal, está fazendo com que ele coma 4,5x a quantidade que poderia! Isso é absurdamente alto. O problema maior é que nem ele e nem você irão sentir os efeitos disso tão cedo. Eles virão na vida adulta. E a hipertensão uma vez instalada, não vai mais embora, precisa ser controlada para o resto da vida!
   Em segundo lugar, quem ensina o gosto dos alimentos ao bebê são seus pais. Se você der sal em excesso para seu filho desde cedo, ele se acostumará com o gosto salgado e sentirá falta quando a comida estiver mais sem sal. Além disso, como o leite (LM ou LA) tem gosto adocicado, quando introduzimos os outros alimentos, os bebês, em sua maioria, dão preferência ao gosto doce e não ao salgado, ou seja, vão preferir tanto as frutinhas quanto as papinhas mais docinhas. Nós é que preferimos a comida muito bem temperada com bastante sal e sódio e acabamos ensinando que é mais gostoso assim.
   A verdade é que a papinha nem precisaria de sal, poderia ser dada sem sal algum. A quantidade de sódio que a criança precisa já encontra no leite e nos alimentos. Damos o sal para que se acostume com o gosto e não rejeite os alimentos mais tarde (o que é importante!) e por isso não precisa ser em excesso.
   Em terceiro, existem alimentos que já tem a quantidade estourada de sal e devem ser evitados, tal como salgadinhos (será que é por esse motivo o nome? rs), salsicha e outros embutidos, sucos de caixinha, refrigerantes, comida pronta, caldos industrializados e os enlatados (alguns enlatados nem são salgados mas contém uma quantidade enorme de sódio, tal como os legumes em conserva). Lembrando que EVITAR é diferente de NUNCA oferecer. Muito de vez em quando não vai matar ninguém. Só não dá para ser toda semana.
   Em quarto lugar e não menos importante, é que em algum momento seu pitico irá começar a comer a comida que toda a família come (se já não começou), então porque não aproveitar e reduzir o sal da família também? Quando falamos de algum mal que pode chegar aos nossos filhos viramos verdadeiras leoas defendendo a cria dos possíveis predadores, mas esquecemos que um dos piores males que pode acontecer na vida deles é perder um dos pais. Por isso, além de cuidar muito bem da alimentação do seu filhote, cuide da sua também! Você é peça fundamental na vida dele. O sal pode faltar, você não! 

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